Especulações sobre como se comportaria o mercado automotivo brasileiro a partir da crise provocada pela pandemia da Covid-19 começaram em março, logo no início da adoção das primeiras medidas de isolamento social. De apostas quanto ao aumento da demanda por versões de entradas até maior movimentação no segmento de luxo, era consenso ser necessário esperar alguns meses para ter mais claro o que iria ocorrer.

Provavelmente a pandemia ainda provocará movimentações diferentes nos vários segmentos do varejo, mas certo é que os SUVs são destaque positivo no balanço dos últimos quatro meses do ano. A participação deste tipo de produto no mercado de automóveis, que era de 27,6% em fevereiro, superou os 38% em junho e julho, ou seja, de cada 10 carros vendidos, praticamente 4 são SUVs.

Enquanto as vendas de automóveis acumulam queda de 38,8% no ano, baixando de 1,26 milhão para 771,8 mil unidades, as de SUVs caíram 26%, com 239,5 mil emplacamentos este ano, ante os 323,8 mil dos primeiros sete meses de 2019. Com isso, a participação do segmento nas vendas totais de janeiro a julho chegou a 31%, ante porcentual de 25,7% no mesmo período do ano passado.

Com reação positiva desde março, a demanda por SUVs ampliou-se ainda mais nos últimos dois meses, a ponto de o mês de julho encerrar com vendas da ordem de 51.638 unidades, número bem próximo ao do mesmo mês do ano passado, que ficou em 52.695. No mesmo comparativo, as vendas de automóveis no cômputo geral despencaram 31%.

Conforme revelado pelo AutoIndústria na semana passada, o Volkswagen T-Cross tem se destacado em desempenho este ano. O modelo foi o SUV mais vendido em junho e julho – no mês passado chegou a liderar o ranking total de automóveis mais vendidos no País -, contribuindo para a marca ocupar a liderança do mercado por dois meses consecutivos.

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A supremacia do segmento nos últimos três anos era dos modelos Jeep. O Compass liderou entre os SUVs em 2017 e 2018 e o Renegade assumiu o topo do ranking no ano passado. Em 2016, antes de novos modelos se consolidarem no País, o líder era o Honda HR-V.

Vale notar, nesse contexto, que o T-Cross tem tido grande participação nas vendas diretas, aqueles feitas junto a locadoras, frotistas, público PcD (pessoas com deficiência) e produtores rurais. Em julho, por exemplo, o SUV da Volkswagen foi o líder em vendas diretas,  com 8.124 unidades. Na sequência vieram o Compass, 3.891 unidades, e Renegade, 3.382. Ou seja, os SUVs desbancaram modelos líderes de venda no atacado, como Chevrolet Onix e VO Gol.

Como comentado anteriormente, ainda é cedo para cravar posição quanto ao que acontecerá efetivamente com o mercado nacional diante da pandemia da Covid-19. Até em função do peso que as vendas diretas estão tendo atualmente no segmento de SUVs. Mas não há dúvida quanto ao melhor posicionamento das marcas que investiram em SUVs, caso da Volkswagen que levou anos para investir nesse tipo de produto e este ano ampliou o seu portfólio com o lançamento do Nivus.