A indústria brasileira de motocicletas mostra que tem acelerado o ritmo no chão das fábricas. Conforme balanço do desempenho do segmento divulgado pela Abraciclo, na quarta-feira, 12, a produção de motocicletas alcançou 97,9 mil unidades em julho, volume que representou crescimentos de 25,3% em relação a junho (78,1 mil) e de 6,8% no confronto com o mesmo mês do ano passado, quando registrou 91,7 mil motos produzidas.

Para Marcos Fermanian, presidente da associação que representa os fabricantes de setor de duas rodas, os resultados se apresentaram como um alívio frente à situação provocada pela pandemia da covid-19. “Os números mostram uma curva ascendente de produção, com recuperação gradativa dos volumes nas fábricas.”

O acumulado do ano, no entanto, ainda carrega perdas. As 490,1 mil motocicletas produzidas até julho representaram uma queda significativa de 22,1% em relação às 628,8 mil unidades montadas um ano antes.

Na avaliação do dirigente da Abraciclo, em virtude do fechamento das fábricas por quase dois meses como medida para conter o avanço de contágio da covid-19, o Polo Industrial Manaus (PIM) vive um momento de ajustes para adequar a produção. “O setor ainda enfrenta um desequilíbrio entre oferta e demanda em relação a determinados modelos de motocicletas”, resume.

Evolução nas vendas do varejo

Pelos números de licenciamento, o mercado também experimenta uma retomada gradual. No mês passado, foram emplacadas 85,1 mil motocicletas, volume 85,7% superior ao de junho, com 45,8 mil registros. O desempenho, porém, foi insuficiente para superar as vendas de julho do ano passado, quando anotou 90 mil motocicletas negociadas, um recuo de 5,4%.

De acordo com o balanço da Abraciclo, no entanto, a média das vendas diárias vem registrando crescimento ao longo dos últimos três meses. Somente no recorte do mês passado em relação a junho, com 23 e 20 dias úteis, respectivamente, a alta foi de 61,4%, de 2,2 mil unidades para 3,7 mil motocicletas.

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“Ao avaliar o desempenho do mercado pela média diária de vendas de cada quinzena de março a julho, verifica-se um crescimento constante e, portanto, consistente, desde o fim de maio até os dias atuais”, observa em nota Fermanian. “A evolução decorre da retomada dos níveis de produção das fábricas e, simultaneamente, da flexibilização e expansão das atividades comerciais nas cidades brasileiras.”

No acumulado do ano as vendas no varejo somaram 435,2 mil unidades, um declínio de 29,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando fechou os sete primeiros meses com 620 mil motocicletas vendidas.

Exportações crescem em julho

A indústria de motocicletas também obteve resultados positivos nas exportações. Em julho, embarcaram 4,4 mil unidades para fora do País, volume 50,5% superior ao anotado em junho, de 2,9 mil motos, e 59% maior ao de julho de 2019, período no qual as remessas somaram 2,7 mil unidades.

Colômbia, Argentina e Estados Unidos foram os principais mercados compradores das motocicletas brasileiras no mês passado, com participações no total embarcado de 31,7%, 22,8% e 18,8%, respectivamente.

No acumulado do ano, as exportações somaram 14,8 mil unidades, declínio de 35,9% na comparação com o mesmo período de 2019 (23.180 unidades).

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Foto: Honda/Divulgação