O Sindipeças atualizou em seu site as projeções para este ano, contemplando desta vez os efeitos da Covid-19 no setor. Chama a atenção o número de postos de trabalhos que serão perdidos em 2020. Segundo a entidade, o quadro será reduzido em 10,3%, de 254,3 mil em 2019 para 228,1 mil, ou seja, serão perto de 26,2 mil demissões no ano.

Os cortes de pessoal na indústria de autopeças foram mais intensos entre março e junho, quando as fábricas tiveram de parar por causa da Covid-19. Desde julho, segundo a entidade, as empresas voltaram a contratar, mas não em número suficente para cobrir as perdas do primeiro semestre.

O faturamento deve cair 26,4%, de R$ 150,9 bilhões em 2019 para R$ 111,4 bilhões este ano. O recuo nas exportações será de 22,3%, de US$ 6,99 bilhões para US$ 5,43 bilhões, e nas importações de 19,2%, de US$ 11,3 bilhões para US$ 8,9 bilhões. Com isso o déficit comercial terá retração de 19,2%, passando de US$ 4,28 bilhões em 2019 para US$ 3,46 bilhões este ano.

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Por causa da pandemia, os investimentos ficarão bem aquém do projetado no início do ano. A indústria de autopeças deve encerrar 2020 com aporte total de R$ 650 milhões, valor que representa uma queda de 42% em relação ao investido em 2019 (R$ 1,12 bilhão). É o investimento mais baixo da década.

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Projeções para 2021

As projeções para 2021 são positivas, mas não a ponto de recuperar os números do ano passado. O Sindipeças estima faturamento de R$ 135 bilhões para o ano que vem, o que representará crescimento de 21,2% sobre este ano, mas um número abaixo do registrado em 2019 (R$ 150,9 bilhões) e também 2018 (R$ 141,4 bilhões).

Os investimentos devem atingir R$ 990 milhões, valor 52% superior ao deste ano, mas ainda aquém dos registrados entre 2015 e 2019.

A estimativa é de alta de 16,9% nas exportações, que saltariam de US$ 5,43 bilhões para R$ 6,35 bilhões. As importações tendem a crescer menos, na faixa de 9,6%, chegando a US$ 9,74 bilhões. O défici da balança comercial deve ficar em US$ 3,39 bilhões, 2% abaixo do valor estimado para 2020.

A expectativa do Sindipeças é a de o setor voltar a contratar, mas não em número suficiente que compense a perda de efetivo este ano. A entidade projeta alta de 2% no quadro de funcionários, que chegaria a 232,9 mil , ante os 228,1 mil deste ano.


Foto: Divulgação/Meritor