Ao divulgar o balanço trimestral do setor na manhã desta quarta-feira, 7, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, não escondeu a preocupação da indústria automotiva com o atual momento, em função não apenas da pandemia e da falta de componentes, mas principalmente por causa da condução da crise sanitária e da economia do País.

“Conversamos constantemente com nossas matrizes sobre como manter os investimentos no Brasil e temos tido dificuldades, atualmente, de explicar algo tão básico como a não aprovação do orçamento da União até agora. Este ambiente político não ajuda. Tem gente em Brasília pensando apenas nas eleições, em 2022, e não no agora. Brasília precisa pensar mais no Brasil. Tem gente lá que parece não estar preocupada com o País”, destacou Moraes.

Além da não aprovação do orçamento, também preocupam as matrizes os rumos atuais da inflação e dos juros, assim como a falta da adoção de medidas, por parte do governo, para que as empresas possam atravessar o atual período.

Na avaliação do presidente da Anfavea, “a situação que estamos passando poderia ser bem menos dramática”. Ele comentou sobre o ritmo da vacinação dos brasileiros, aquém do necessário, e da lentidão do governo em adotar medidas que deem suporte às empresas para atravessar este período mais crítico da pandemia: “Por causa do atraso na votação do orçamento, até agora a MP 936 não foi reeditada”.

Essa MP, que visa segurar os empregos por meio de suspensão de contratos de trabalho com salários pagos parcialmente pelo governo, funcionou bastante no ano passado, não só na indústria como também no comércio e nos serviços. Agora, sem um respaldo do gênero, o risco de aumentar o desemprego é grande, admite o presidente da Anfavea.

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“É muito triste tudo que estamos vivendo. Infelizmente o Brasil está deixando os brasileiros para trás. Não se percebe em Brasília a gravidade do que estamos vivendo e estão demorando demais para agir”, comentou Moraes, referindo-se ao Executivo e também ao Parlamento ao falar de “ruídos políticos” que dificultam o combate à pandemia e a retomada da economia.

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O presidente da Anfavea comentou, ainda, que considerando todo o quadro atual o setor até teve um comportamento satisfatório no primeiro trimestre. Mas a expectativa é de uma travessia penosa neste segundo trimestre. Ele defendeu a aceleração da vacinação no País como única forma de criar condições para a economia reagir.

“O momento é de chamar a reponsabilidade de todas as esferas de poder para um esforço de vacinação e para o controle das contas públicas, além do destravamento das pautas reformistas no Congresso Nacional, que podem ajudar a reduzir o Custo Brasil”, conclui o executivo.


Foto: Divulgação/Anfavea