Omercado automotivo nacional tem demonstrado recuperação gradativa após retração agravada pela pandemia e pela falta de semicondutores para produção de veículos. A instabilidade que o setor de autopeças enfrentou com maior força no ano passado serviu também para sinalizar que vários procedimentos precisavam ser revistos e aperfeiçoados.

Primeiramente, vale mensurar a retomada do setor. O faturamento nominal de veículo leve no acumulado de 2021 (até agosto) é de 64%, enquanto o faturamento nominal de veículo pesado no mesmo período é de 26,92%, segundo dados do Sindipeças em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças).

Mesmo na fase crítica da pandemia, quando houve menor intensidade nas operações, algumas empresas fornecedoras do setor automotivo continuaram produzindo sem promover demissões e cortes salariais. Neste período, muitos trabalhadores passaram a trabalhar de forma remota.

Se por um lado foi mais difícil lidar com as atividades cotidianas dentro da fábrica, por outro houve, enfim, a oportunidade de implementar treinamentos massivos de capacitação técnica e comercial aos colaboradores.

A fase de instabilidade na produção possibilitou avançar em outras frentes essenciais para toda a cadeia de fornecedores do setor automotor. O aperfeiçoamento de técnicas de negociação online se tornou um diferencial em um mercado cada vez mais digitalizado, traduzindo em maior potencial de vendas, mesmo em períodos de baixa.

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A maioria das empresas ligadas às indústrias automotivas e autopeças negocia produtos e serviços para outras fábricas, relação comercial conhecida como B2B (Business to Business). Portanto, não basta apenas produzir com excelência. É preciso saber expor seu produto ao mercado.

A qualificação do quadro de funcionários é fundamental em uma área que vive em constante evolução. Essa soma de conhecimento na indústria automotiva será decisiva na transição gradual para a Indústria 4.0, marcada pelo uso da tecnologia em todo processo de automação. Dentro desse conceito, futuramente, o mercado de peças de veículos leves e pesados terá como desafio a produção de veículos elétricos, atendendo a rigorosos índices sustentáveis.

A dificuldade em conseguir componentes eletrônicos para produção ainda é uma realidade, deve continuar prejudicando o setor automotivo até 2022 e nos desafia a desenvolver novas metodologias e operações para que o mercado se fortaleça frente a esse e outros obstáculos.

A lição que fica da fase de escassez de semicondutores é que as empresas automotivas precisam antever o mercado, pois só dessa forma estará preparada para continuar operando com intensidade, independentemente do momento, se sobressaindo diante dos concorrentes que enxergam apenas o momento.


*Engenheiro Emerson Fabrete, do Departamento Técnico de Atendimento ao Cliente da Henkel Latam