Indústria

Invasão chinesa e indiana no mercado de máquinas preocupa a Anfavea

No caso dos equipamentos agrícolas, as compras no país asiático cresceram 85,7% em 2025 e 191,6% no primeiro trimestre deste ano

A aceleração das importações de máquinas agrícolas e rodoviárias da China e da Índia preocupa os fabricantes locais, que têm reduzido vendas nos últimos anos e devem seguir com desempenho negativo em 2026, conforme projeções divulgadas pela Anfavea nesta quarta-feira, 15.

A entidade estima queda de 6,2% na demanda por máquinas agrícolas nacionais, de 49,8 mil para 46,7 mil unidades, e de 4,7% nas rodoviárias, de 37 mil para 35,3 mil. Também as exportações devem cair (veja tabela abaixo).

Além da questão dos importados, também os juros altos do mercado brasileiro, a redução no preço das commodities e a elevação dos custos na agricultura e na construção civil dificultam uma retomada do mercado de máquinas este ano, explica o presidente da Anfavea, Igor Calvet. lembrando ainda dos reflexos da guerra EUA-Irã.

O balanço do primeiro trimestre indica evolução insignificante de 1,5% no caso dos equipamentos rodoviáriios, de 8,8 mil para 8,9 mil unidades, e queda de 13,1% na demanda pelos agrícolas, que baixou de 11,3 mil para 9,8 mil.

No ano passado em relação ao anterior, houve quedas respectivas de 0,4% e 3,6%, para volumes, também pela ordem, de 37 mil e 49,8 mil unidades.

“O ponto de maior atenção no momento são as importações, que atingiram patamares recordes no ano passado e seguem em alta este ano. O crescimento expressivo dos importados transformou o superávit em déficit na balança comercial pelo segundo ano consecutivo”, destaca Calvet.

Ele revela que a entidade vem conversando com o governo federal e também com o Poder Legislativo, em função das compras públicas nos dois segmentos:

“Tanto os produtos chineses como os índianos têm vencido concorrências públicas que deveriam considerar não apenas a localização da produção e os empregos gerados no País, mas também a qualidade das máquinas e  de assistência técnica. Isso tem de ser revisto com urgência, visto que os fabricantes locais cumprem regras e normas não exigidas para os produtos importados”.

Em máquinas agrícolas, as importações saltaram no primeiro trimestre 48%, de 2,2 mil para 3,35 mil unidades. Em contrapartida, as exportações subiram apenas 5,7%, de 1,26 mil para 1,33 mil.

Nas rodoviárias, a alta nas importações foi de 17,3%, para 5,8 mil unidades, e nas exportações de apenas 1,4%, para 4,1 mil unidades.

O que mais chama a atenção nesse contexto é a China. No caso das máquinas rodoviárias, as compras no país asiático cresceram 36% no primeiro trimestre, para 5,1 mil unidades.

Com relação às máquinas agrícolas, o crescimento – que foi de 85,7% no ano passado – chega a 191,6% nos primerios três meses de 2026. As compras na China praticamente dobraram no comparativo interanual, de 782 para 1,5 mil unidades, a maioria de tratores de roda de baixa potência.

A Índia é o país que mais manda tratores e colheitadeiras para o Brasil, com 1,7 mil unidades no trimestre. No comparativo com os primeiros três meses de 2025, o crescimento é de 13,8%, bem abaixo do índice registrado pela China.

Taís números, segundo Calvet, reforçam a necessidade de apoio à produção nacional, “sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação gerada pela indústria de máquinas autopropulsadas, justamente em um país reconhecido pela força do seu agronegócio e da construção civil”.


Foto: Divulgação/Case

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Publicado por
Alzira Rodrigues

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