Por George Guimarães

Os puristas costumam torcer o nariz quando alguém opta por fazer de uma picape um veículo de passeio e não destiná-la ao transporte de carga, em princípio sua função. Mas a Volkswagen Amarok esgrima um rosário de características que justifica tamanho disparate. Não fosse pela caçamba, ela tem pouca identidade com um veículo utilitário de fato. Está mais para um sofisticado SUV.

Ao Volante percorreu mais de 2 mil quilômetros com a versão Highline Extreme – preço aproximado de R$ 181 mil – por estadas bem asfaltadas e também de terra em boas condições. Em nenhum momento a sensação foi outra a não ser de se estar em um veículo muito confortável para cinco ocupantes, com a suspensão bem dimensionada para absorver as irregularidades dos diversos pisos e garantir estabilidade para um veículo de grande porte e, naturalmente, com centro de gravidade elevado.

Nas boas autoestradas do Estado de São Paulo e nas vias de chão batido nas montanhas do Sul de Minas Gerais a picape da Volkswagen mostrou versatilidade e força. Não para menos: sob o capô está um motor diesel  2.0 biturbo de 180 cavalos, acompanhada de tramissão autom´tica sequencial de oito velocidades e com opção de trocas por meio de borboletas .

É um conjunto mais do que suficiente para fornecer ao motorista respostas  imediatas em ultrapassagens ou situações adversas, como aclives  acentuados mesmo com pouca aderência — nas autoestradas, é uma verdadeira “engolidora de pistas” —, mas também, caso o usuário necessite e não tenha dó de “ralar” quase R$ 200 mil, para o trabalho pesado.

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A versão Extreme, porém, é claramente concebida para o asfalto, já que utiliza pneus de perfil baixo e de raio de 20 polegadas. Mesmo em marcha reduzida e com toda a inteligência eletrô nica disponível, eles foram  incapazes de segurar o utilitário ou garantir a melhor  tração em um terreno totalmente enlameado.

Sua lista de equipamentos equipara-se a de qualquer automóvel de luxo: da tração inteligente integral ao sistema de navegação e entretenimento, passando por ABS off-road , controle de estabilidade, controle de descida , assistente para partida em rampa, bancos dianteiros com regulagem elétricas, faróis bixênon, luz diurna em LED, revestimento em couro nos bancos, câmera de ré, sensores de manobra traseiros e dianteiros, dentre outros.

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No ano passado a Amarok somou 11,9 mil unidades emplacadas no mercado interno e foi a quinta colocada no ranking de picapes médias, segundo dados de emplacamento da Fenabrave.  Este ano, ao modelo contará com mais uma reforço para impuslionar suas vendas :a Volkswagen a entregar, a partir de fevereiro, as primeiras unidades da versão Highline com motor V6, lançada oficialmente no fim em dezembro.

Essa segunda motorização tende a ser, literalmente,  mais um forte argumento de vendas e outro  atrativo para quem pensa que picape  não é mera ferramente de trabalho. Com 3 litros e também a diesel, gera nada menos do que 225 cavalos e nada mais é do que um versão um pouco mais mansa do motor utilizado no … Audi Q7 TDI! Os puristas que a perdoem mais uma vez.


Foto: AutoIndústria/Divulgação VW