Por Redação | autoindustria@autoindustria.com.br

O pragmatismo que sempre caracterizou Carlos Ghosn, responsável direto pela constituição e líder da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, claramente já está incutido na cultura das empresas do grupo, que  encerrou 2017 à frente no ranking de vendas mundiais de automóveis e comerciais  leves: suas dez marcas reunidas negociaram 10,6 milhões de veículos.

Sob a rígida batuta do executivo brasileiro, cada uma das três pernas do conglomerado tem uma missão bem definida para os próximos anos. No caso da Nissan, uma das principais diretrizes — a primeira, quase certo — é  estar na liderança mundial, já no começo da próxima década, em eletrificação, condução autônoma e mobilidade.

Não por outra razão a montadora anunciou nesta sexta-feira, 20, que lançará até meados de 2022, no Japão, três veículos genuinamente elétricos e outros cinco equipados com o sistema e-Power. Mais ainda: a empresa se prepara para mudar a própria relação com os clientes do futuro.

Para isso, desenvolverá uma nova proposta de serviços e  atuação para suas lojas. A ideia é permitir ao consumidor o maior número possível de experiências de toda a ordem. O trabalho envolverá até o processo de venda,  com todas etapas cada vez mais digitalizadas, da primeira manifestação de interesse de contra o até o pós-venda.

“Os novos formatos de lojas e a digitalização personalizarão as comunicações da Nissan com os clientes”, afirma Asako Hoshino, vice-presidente da montadora. “Melhoraremos a satisfação do cliente ao fornecer serviços de qualidade ininterruptos”, disse, durante a apresentação  do plano de produtos e serviços em Yokohama.

 

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Os objetivos de vendas globais são absolutamente ambiciosos, principalmente quando se leva em conta os números absolutos e o prazo limite para se chegar a eles: até 2022, último ano do atual plano plurianual “Nissan M.O.V.E to 2022”, que envolve ainda, claro, muitos desafios financeiros.

Até lá a montadora espera estar vendendo anualmente 1 milhão de veículos eletrificados em todo o mundo, sejam eles totalmente elétricos ou dotados do sistema e-Power, que utiliza um motor a gasolina para gerar a energia que expande a autonomia do motor elétrico utilizado para movimentar o veículo.

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Se atingir esse emblemático volume, carros e utilitários eletrificados representarão cerca de 40% das vendas da Nissan no Japão e na Europa em 2022, e, no ano seguinte, até 30% nos Estados Unidos e 40% na China, maior mercado mundial.

Mais autonomia — Passa também pela melhoria dos produtos e tecnologias em linha essa aguardada escalada dos elétricos no portfólio da Nissan. Fundamental é a ampliação da autonomia das baterias. E a empresa vem trabalhando muito nesse sentido. O mais recente movimento nesse sentido envolve a van e-NC200.

Até o fim deste ano, a montadora começará a vender, no Japão, uma nova versão do utilitário com bateria de maior capacidade, agora de 40 quilowatts-hora, que permite rodar até 300 quilômetros, segundo critérios da legislação japonesa. A garantia da bateria agora é de oito anos e 160 mil km, contra os cinco anos e 100 mil km da geração anterior.

Com um carregador normal de parede de 6 kW, vendido separadamente, a bateria é totalmente carregada em cerca de oito horas. Em um carrregador rápido, porém, o tempo demandado cai consideralvemente: em apenas 40 minutos se tem 80% da capacidade da bateria recuperada.

O usuário tem também a possibilidade de fazer da nova e-NV200 um verdadeiro banco de energia. Por meio do plugue de alimentação do veículo, consegue-se  eletricidade para, por exemplo, o acionamento de ferramentas e equipamentos. Com um dispostivo opcional, batizado de “EV Power Station”, a e-NV200 pode até mesmo fornecer eletricidade para escritórios e lojas em caso de blecautes.


Foto: Divulgação/Nissan