A previsão feita pela Anfavea no início do ano de aumento da participação dos veículos importados no mercado brasileiro dos 10,9% registrados em 2017 para 15% este ano dificilmente será concretizada. No acumulado até setembro, esse índice ficou em 12,3%, mais próximo do porcentual do ano passado do que da previsão da entidade que representa as montadoras.

Nos primeiros nove meses do ano foram comercializados 200,8 mil veículos importados, incluindo aí os números das montadoras e dos importadores sem fábrica no Brasil, uma alta de 29,2% sobre os 155,5 mil do mesmo período do ano passado. É um bom desempenho, mas bem abaixo do estimado pelas montadoras para 2018.

Pela projeção inicial da Anfavea, o mercado de importados subiria em torno de 50%. Seriam perto de 375 mil unidades se viesse a ser concretizada a participação de 15% na estimativa de 2,5 milhões de emplacamentos este ano. E esse número do mercado total ainda poderá ser revisto para cima como admitiu o presidente da entidade, Antonio Megale, na coletiva realizada no início de setembro.

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Considerando que o volume máximo atingido pelos importados foi o de agosto, com 30,4 mil emplacamentos, e que a média no ano está em 25 mil unidades/mês, quando muito as vendas de veículos vindos de fora ficarão em torno de 315 mil a 325 mil unidades, ou seja, cerca de 15% abaixo da estimativa da Anfavea.

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A Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, já admite que apesar do desempenho positivo até agosto – alta de 32% no caso das dezesseis marcas associadas à entidade – poderá rever para baixo a meta de atingir 40 mil emplacamentos em 2018.

A alta do dólar, segundo o vice-presidente da entidade, Paulo Ferreira, poderá gerar reajuste nos preços neste último quadrimestre e desacelerar o ritmo de expansão do setor. Ou seja, será difícil as associadas da Abeifa manterem vendas na faixa de 3,8 mil unidades/mês até dezembro, volume necessário para chegar à meta estabelecida no início do ano.

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O mercado de importados havia despencado no Brasil nos últimos três anos por causa das restrições impostas pelo Inovar-Auto, encerrado em 31 de dezembro passado. A venda desses veículos chegou a 617 mil unidades em 2014, volume que baixou para 414,3 mil em 2015 e não parou de cair até o ano passado. Que a recuperação está ocorrendo em 2018 é indiscutível. Mas também é certo que não ocorre no ritmo que montadoras e importadores esperavam.


Imagem: Pixabay