Só no setor de veículos são 413,4 mil contemplados no sistema de consórcio que não retiraram seus bens até abril, com um total de crédito disponivel e não utilizado da ordem de R$ 18,1 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 29, pela Abac, Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, com base em números fornecidos pelo Banco Central.

O tíquete médio no setor é de R$ 43,8 mil, sendo R$ 42 mil no caso dos veículos leves, R$ 203,4 mil nos pesados e R$ 13 mil no segmento de motocicletas. Os números de contemplados que não retiraram seus veículos são, respectivamente, 291,3 mil, 22,4 mil e 99,7 mil. Na mesma ordem, os créditos disponíveis alcançam R$ 12,2 bilhões, R$ 4,6 bilhões e R$ 1,3 bilhão.

De acordo com a Abac, computando-se todo o sistema de consórcio, que inclui também imóveis, serviços e eletrodomésticos, são cerca 535 mil consorciados contemplados que ainda não adquiriram bens ou contrataram serviços.

Na avaliação de Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, os dados sinalizam dois aspectos importantes. “O primeiro aponta um volume financeiro significativo de participação da modalidade nos diversos elos da cadeia produtiva, com destaque para os segmentos automotivo e imobiliário. O segundo indica a liberdade proporcionada pelo sistema para utilização do crédito pelo participante e a certeza de que, enquanto não houver uso, o valor fica aplicado em títulos de acordo com a legislação”.

Ou seja, as pessoas estão preferindo poupar e ter a garantia de uma reserva do que retirar os bens a que têm direito. E vale notar que a demanda por consórcio vem crescendo este ano. De acordo com balanço da Abrac, o total de participantes no setor de veículos cresceu 2,4% em maio com relação a abril, saltando de 6 milhões para 6,19 milhões.

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Na comparação dos primeiros cinco meses deste ano com igual período de 2018, os negócios correspondentes avançaram 23,6%, de R$ 26 bilhões para R$ 32,2 bilhões. As contemplações mostraram estabilidade no período, com 457 mil consorciados podendo retirar seus bens, porém com alta de 2,2% nos créditos concedidos e potencialmente injetados no setor automobilístico, em pouco mais de R$ 14 bilhões.

No segmento de veículos leves, as adesões somaram 515 mil no acumulado do ano, 10,3% mais que as 467 mil do período janeiro a maio do ano passado, com os negócios do setor avançando de R$ 19,4 bilhões para R$ 22,98 bilhões, alta de 18,5%. O tíquete médio foi de R$ 45,6 mil, 8,6% maior que os R$ 42 mil anteriores.

Enquanto o total das contemplações ampliou-se em 1,5%, de 235,25 mil ) para 238,75 mil no mesmo comparativo, os créditos concedidos subiram 1,4%, de R$ 9,60 bilhões para R$ 9,73 bilhões. No acumulado dos cinco meses, a potencial participação das contemplações nas vendas do mercado interno foi de 26%. Este percentual correspondeu a um veículo leve a cada quatro comercializados no mercado interno por meio do mecanismo.

No caso dos veículos pesados (caminhões, ônibus, tratores, implementos agrícolas e rodoviários), o setor mostrou progresso em todos os indicadores. Houve evolução de 44,6% nas vendas de novas cotas e de 54,6% nos correspondentes créditos comercializados nos cinco primeiros meses do ano sobre o mesmo período de 2018.

As adesões subiram de 22,4 mil para 32,4 mil e os negócios de R$ 3,37 bilhões para R$ 5,22 bilhões. O total de participantes ativos cresceu 9,5%, de 291 mil para 318,5 mil. A soma de contemplados aumentou 10%. Até maio de 2018, eram 13,55 mil e, no mesmo mês deste ano, chegaram a 14,9 mil.

Os créditos concedidos no caso dos veículos pesados, relativos aos mesmos meses, tiveram alta de 10,5%, de R$ 1,91 bilhão para R$ 2,11 bilhões.  O tíquete médio, que era de R$ 152,2 mil em maio de 2018, avançou 7,8% e chegou aos R$ 164 mil.


Foto: Divulgação/Consórcio Caoa