A indústria automotiva certamente já repensa seu papel como apenas fabricante de veículos. Os desafios identificados no estudo Automotive Brazil 2030, encabeçado pela Bright Consulting, apresentado no Workshop Planejamento Automotivo 2020, realizado segunda-feira, 12, em São Paulo, no entanto, sugere bem mais que uma reflexão, mas uma ruptura no atual modelo de negócios.

O surgimento das empresas de tecnologia, mais capitalizadas e ágeis, trouxe a reboque ameaças ao que até agora se entende como o negócio da montadora. “Novos atores entraram na cadeia automotiva e trouxeram um grande problema para as fabricantes. Prazos menores de desenvolvimento e entregas, além de produtos e serviços mais virtuais e impessoais quebraram o tradicional processo das fabricantes”, avalia Paulo Cardamone, presidente da Bright Consulting.

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Para o consultor, não somente as empresas de tecnologias, mas também um novo tipo de consumidor cresce com uma relação diferenciada com o carro. A chamada Geração Z (os nascidos a partir de 1997), que não conhece o mundo sem a internet, constitui o universo para quem a indústria automotiva terá de convencer a comprar automóvel nos próximos anos.

“Mas a Geração Z tem preferência pela mobilidade, não necessariamente pela posse. Nela está o jovem conectado, alugador nato de carro. Daí, a indústria tem que mudar radicalmente.”

No cenário, os parceiros também mudam, especialmente com a integração de starups, formulando um novo ecossistema de negócio e, nele, a própria evolução do automóvel. “Ninguém poderia imaginar até bem pouco tempo atrás que o carro estaria tão conectado quanto hoje, validando que o consumidor quer conteúdo.”

Na transformação que se segue, o processo de compra caminha junto afetado por uma revolução digital. Pelas estimativas do estudo da Bright, se hoje 90% das vendas ocorrem na concessionária, em 2030, perto de 60% delas será por meio virtual. “A Lei Ferrari irá morrer por si só”, resume.