Tavares: planos que levaram o grupo francês de grave crise financeira á lucratividade em apenas cinco anos.

FCA e Groupe PSA confirmaram, nesta quinta-feira (32), Carlos Tavares como CEO da futura empresa que nascerá da fusão das duas montadoras. O executivo português é o principal articular dos Planos “Back to the Race” e “Push to Pass” implementados a partir de 2013 e que resgataram o grupo francês da grave crise financeira que estava mergulhado até então.

A decisão de encaminhar o processo de fusão foi aprovada de forma unânime pelos conselhos de administração dos dois grupos. Nas próximas semanas, as respectivas equipes concluirão as discussões e elaborararão  memorando de entendimento.

A futura empresa será dividida igualmente entre PSA e FCA e terá sede na Holanda. Será listada na Bolsa Italiana (Milão), Euronext (Paris) e na Bolsa de Valores de Nova York, e manterá escritórios centrais na França, Itália e Estados Unidos.

Elkann presidirá o conselho administrativo

A representação no conselho administrativo terá 11 cadeiras, 6 delas indicadas pela FCA e as 5 restantes pela FCA, com a maioria de diretores, independentes.

Se a operação prática ficará a cargo de Tavares, a presidência do Conselho de Administração daquele que será o quarto maior fabricante mundial de veículos caberá a John Elkann, herdeiro da família Agnelli, fundadora da Fiat, e que atualmente ocupa o mesmo cargo no conglomerado ítalo-americano.

PSA e FCA produziram 8,7 milhões de automóveis, SUVs, picapes e comerciais leves em todo o planeta no ano passado.As receitas combinadas no período chegaram a € 170 bilhões e o lucro operacional, acima de € 11 bilhões, excluindo os números da Magneti Marelli, braço de sistemas e componentes que compunha a FCA até 2018, e da Faurecia, fornecedora de componentes e serviços da PSA.

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“A companhia combinada agrega as capacidades extensivas e crescentes das empresas em termos de tecnologias […], incluindo motorização elétrica, direção autônoma e conectividade digital”, afirma comunicado oficial emitido nesta quinta-feira (31).

O  texto informa que “a união das montadoras representará sinergias anuais de cerca de € 3,7 bilhões, principalmente em decorrência de ” maior eficiência na alocação de recursos para investimentos de larga escala em plataformas de veículos, motores e transmissões e novas tecnologias, além da melhoria da capacidade de compras resultante da nova escala combinada do grupo”. E reforça: “As energias estimadas não são baseadas na necessidade  de fechamento de plantas”.

A ideia é de que 80% das sinergias sejam alcançadas após quatro anos, com custo total único para alcançá-las de € 2,8 bilhões. Os resultados, assim, seriam alcançados ainda dentro do mandato inicial de Carlos Tavares, definido  para cinco anos. “Essa convergência traz valor significativo para todas as partes envolvidas e abre um futuro brilhante para a entidade combinada”, afirmou Tavares.

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Antes da conclusão da transação, que demandará informação e consulta a  representações dos trabalhadores e aprovação de autoridades econômicas, a FCA vai distribuir aos seus acionistas dividendo especial de  € 5,5 bilhões  assim como sua participação acionária na Comau. No mesmo prazo, a PSA distribuirá sua parcela de 46% na Faurecia.


Foto: Divulgação/PSA