As locadoras de veículos têm bons motivos para comemorar os números obtidos em 2019. Com receita bruta recorde de R$ 21,8 bilhões, o setor registrou crescimento de 42,5% sobre o faturamento de R$ 15,3 bilhões do ano anterior. O número de diárias chegou a 49,6 milhões, 6,6 milhões a mais do que em 2018, uma expansão de 15,3%.

Também cresceu o contingente de locadoras, de 8 mil para 10,8 mil, e o total de empregos diretos no setor, que passou de 71,6 mil em 2018 para 75,1 mil no ano passado, contratação de 3,5 mil novos funcionários. As locadoras compraram no ano passado total de 541,3 mil veículos, ante os 412,7 mil do ano anterior. A participação delas nos negócios totais de veículos no Brasil subiu de 19% para 22,8% – em 2016 era de apenas 11%.

Divulgados nesta terça-feira, 17, pela Abla, Associação Brasileiras das Locadoras de Automóveis, os números refletem, segundo a entidade, o crescimento da demanda por parte de pessoas que passam a alugar veículos por longos períodos, em vez de comprá-los, e também a crescente quantidade de locações para motoristas de aplicativos de transporte.

“Esse censo anual ratifica que o brasileiro está pensando mais de duas vezes antes de adquirir novos veículos”, avalia o presidente do conselho nacional da Abla, Paulo Miguel Junior. “Na prática, há uma nítida migração da cultura da posse para uma nova cultura com foco no pagamento pela utilização dos veículos”.

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O executivo tentou desmistificar a ideia de que as vendas diretas crescem no País em função exclusivamente das compras feitas pelas locadoras. Ele informou que no ano passado, por exemplo, do total de 1,2 milhão de veículos comercializados diretamente, 200 mil foram para o público PcD (pessoas com deficiência). Lembrou, ainda, que as vendas diretas envolvem também negócios com o governo, taxistas e produtores rurais.

Numa estimativa preliminar da Abla, da frota total de 997.416 veículos das locadoras, entre 150 mil a 200 mil carros estão alugados para motoristas de aplicativos. Para as locadoras, esse mercado representa mais uma oportunidade, mas também adaptações importantes no modelo de negócios para atender a esse tipo de demanda.

“Tornar o negócio mais sustentável se tornou uma grande preocupação do mercado de locação”, explica o presidente da entidade. “Maior demanda, em um nível de utilização intenso como o dos motoristas de aplicativo, implica em necessidade de renovação da frota em períodos mais curtos, porém nunca antes de 12 meses”.

Para pessoas físicas, a locação diária passou a ter 48% na frota total das locadoras, subdivida da seguinte forma: 26% da frota utilizada no turismo de lazer e 22% no turismo de negócios. Já o aluguel para empresas, órgãos públicos (terceirização de frotas), locação de longo prazo para pessoas físicas e para motoristas de aplicativos ficou com 52% de participação.

A General Motors ocupou pelo quarto ano consecutivo a liderança do ranking dos automóveis e comerciais leves zero km mais emplacados pelas locadoras em 2019, com participação de 24%, o que equivale a 130.424 unidades vendidas ao setor de locação. Na sequência vêm FCA (19,86%), Volkswagen (19,47%), Renault (13,91%) e Ford (12,74%).


Foto: Divulgação/Localiza