A Renault desistiu de negociar seus carros de passeio da China. Nesta terça-feira, 14, a montadora revelou que se dedicará apenas a veículos comerciais leves e elétricos no maior mercado mundial, responsável por cerca de um terço das vendas globais.

A marca francesa vinha produzindo modelos como os SUV Captur e Koleos, além de transmissões, na joint venture  Dongfeng Renault Automotive Company, em Wuhan. A parceria, que negociou perto de 300 mil veículos, será desfeita e a participação da Renault, repassada integralmente à Dongfeng Motor, que não seguirá com a produção dos Renault.

A operação de comerciais leves será reforçada com a Renault Brilliance Jinbei Automotive, incumbida da produção e vendas, enquanto o desenvolvimento da linha de elétricos ficará a cargo das joint ventures eGT New Energy Automotive e Jiangxi Jiangling Group Electric Vehicle.

A Renault voltou a disputar o mercado chinês de automóveis em 2016, com a inauguração da planta de Wuhan, cidade que se tornou o epicentro da epidemia da Covid-19 no fim do ano passado.

Apesar da dissolução da joint venture, a empresa afirma que continuará cooperando com a Dongfeng em veículos conectados e no fornecimento de motores e componentes junto com Nissan, que também dará suporte assistencial aos consumidores locais dos modelos Renault.

O fim das atividades em automóveis de passeio na China integra estratégia mundial que objetiva realinhamento das parceiras na Alliance Renault- Nissan-Mitisubishi e que deve ser mais detalhada ainda no primeiro semestre. A ideia é reforçar a atuação de cada marca nos mercadoso são líderes ou tenham maior relevância.

Assim, é de se esperar um “rebaixamento” da Nissan na Europa, por exemplo. A empresa tem participação bem mais expressiva no mercado chinês. Enquanto a Renault vendeu lá perto de 180 mil veículos no ano passado, a marca japonesa negociou oito vezes mais, algo como  1,55 milhão de  unidades.

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Essa brutal diferença justifica a decisão da Renault de centrar esforços, daqui para frente, nos outros dois segmentos, que também são expressivos em volumes.

Só as vendas de LCV na China atingiram 3,3 milhões em 2019 e, estima a Renault, devem manter crescimento constante com o aumento da urbanização, do comércio eletrônico e da diversificação dos esquemas de transportes nas cidades.

Tanto que a Renault Brilliance Jinbei, criada em 2017, está expandindo sua linha para cinco modelos até 2023 e, antecipou e pretende investir em exportações. A parceira chinesa vendeu 162 mil veículos no ano passado e já acumula mais de 1,5 milhão de clientes na China.

KWID ELÉTRICO COMO CARRO MUNDIAL

A  China também é o maior mercado mundial de veículos elétricos — só no ano passado chegaram às ruas mais de 860 mil unidades — e a  Renault projeta que eles representarião 25% do mercado local até  2030.

Por meio da eGT, parceria que também inclui Nissan e Dongfeng, a montadora produz e vende o City K-ZE, nada mais do que uma versão atualizada e elétrica do Kwid e  que  será lançada na Europa como Dacia Spring em 2021.

“O Grupo Renault espera reforçar sua parceria na eGT para tornar o K-ZE um carro mundial”, afirma nota emitida na França nesta terça-feira, na qual a empresa revela também que pretende ofertar quatro modelos elétricos na China até 2022.

K-ZE: versão elétrica do Kwid.


Fotos: Divulgação