A crise decorrente do novo coronavírus deve gerar uma queima de caixa da indústria automobilística brasileira da ordem de R$ 40 bilhões. A projeção foi feita pelo presidente e CEO da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si, em entrevista online na qual revelou o congelamento dos investimentos da montadora no País e também a revisão do cronograma de lançamentos, tanto em termos de data como de produtos.

“É uma crise sem precedentes e no nosso setor, principalmente, envolve problemas de liquidez”, comentou. “Todos nós vamos ficar sem caixa. Em três ou quatro meses vamos queimar valor que equivale ao total de investimentos que faríamos em 3 anos. Vai restringir nossa capacidade de investir “.

Di Si lembrou que a Volkswagen está concluindo aporte de R$ 7 bilhões no Brasil e estava em vias de anunciar novo ciclo de investimento. Mas, diante da crise, disse que não é possível falar em lançamentos para 2022 ou 2023 ou qualquer outro projeto para os próximos anos. “Não podemos definir nada por enquanto. Talvez no segundo semestre dê para ter uma visão mais a longo prazo dos reais efeitos do Convid-19 na economia em geral”.

A empresa confirmou para o final de junho ou início de julho o lançamento do SUV Nivus, revelando inclusive que a empresa lançará planos especiais de venda, com início de pagamento das parcelas do financiamento só no final do ano. Mas adianta que os demais produtos que estavam programados pela empresa poderão ser revistos.

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Di Si admite, por exemplo, que pode haver uma migração de compra para carros dos segmentos mais baixos, como já aconteceu em outras crises. “Vai depender muito de como o mercado vai se comportar a partir da retomada dos negócios. Não temos dúvida que vai mudar, o importante é não perdermos plataformas e investimentos já feitos”.

O presidente da Volkswagen lembrou que os vários segmentos da cadeia automotiva, incluindo fornecedores e concessionários, vêm mantendo reunião constantes em busca das melhores soluções para sair da atual crise. Além das conversas com o Ministério da Economia, há contatos com o BNDES para liberar dinheiro para as concessionárias e tem um pool de bancos, liderado pelo Itaú, que debate medidas de ajuda ao setor automotivo como um todo.

“Não queremos dinheiro público. Queremos soluções para injetar liquidez da forma mais rápida possível no setor. Estou otimista de que chegaremos a um acordo que seja favorável toda a cadeia automotiva”, comentou Di Si.

Dentre outros assuntos abordados pelo presidente da Volkswagen na entrevista realizada na manhã desta quinta-feira, 23, destaque para as concessionárias virtuais lançadas pela empresa no ano passado e que devem ganhar força a partir de agora. “Ainda havia resistência por parte de alguns distribuidores, mas o isolamento social decorrente da pandemia deixa claro a importância dessa iniciativa”.

Di Si também comentou sobre processo de nacionalização de peças iniciado pela fabricante no ano passado, que agora mais do que nunca deve ganhar força no setor em geral. “Há vários exemplos de componentes que poderíamos fazer aqui e hoje exportamos da Coreia, da China ou da Alemanha. Poderia, por exemplo, ter uma cooperativa entre Anfavea e Sindipeças para analisar a questão. É um processo que vai atrasar, mas de extrema importância para a indústria brasileira”.


Foto: Divulgação/Volkswagen