Oprimeiro contato com a imprensa de Carlos Tavares como CEO da Stellantis trouxe a melhor notícia que as operações sul-americanas da recém-formada quarta maior montadora mundial poderiam ter num primeiro momento. Questionado se a empresa pretende reduzir o atual número de seis fábricas que tem no Brasil e Argentina, o executivo negou enfaticamente.

“Há muito mais coisas para se fazer em uma fábrica de veículos antes de cortar empregos”, disse Tavares, durante entrevista de quase duas horas transmitida pela internet em cinco línguas. Ele, assim, reafirmou o que disseram inicialmente os dois grupos quando revelaram as tratativas para a união global, ainda no fim de 2019.

Mas, conhecido por sua objetividade e contundência, o executivo português, lembrado da saída da Ford do Brasil, tratou logo de acrescentar que cabe aos governos locais decidirem se querem manter a indústria automotiva na região.

“Tem um momento que essa pergunta deve ser feita aos governos. Nosso compromisso é não fechar nenhuma fábrica em decorrência da fusão. A Stellantis tem 18% do mercado automotivo na América Latina, conseguimos ser competitivos. Mas não podemos trabalhar com todos os ventos contrários.”

O CEO da montadora também atribuiu, em parte, aos governos a evolução da oferta e produção de carros elétricos e híbridos na América do Sul:

” A eletrificação supõe custos adicionais aos veículos e, por isso, ou uma parte dos clientes ficará de fora ou as margens são muito sacrificadas. Precisamos encontrar soluções para essas contradições e isso está também nas mãos dos governos. Temos mobilidade limpa e sustentável e podemos oferecê-la aos consumidores da América Latina”.

Mundialmente, a Stellantis já conta com 29 modelos eletrificados e lançará outros dez ainda em 2021. A meta é que até 2025 todos os veículos do grupo tenham pelo menos uma versão eletrificada.

Tavares não deu detalhes sobre o encaminhamento que a Stellantis pretende dar às catorze marcas de veículos originárias da FCA e da PSA em todo o mundo. Mas assegurou que não pensa em eliminar qualquer uma, ainda que os planos estão em desenvolvimento.

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Citou textualmente Alfa Romeo e Maserati, duas marcas de volumes reduzidos e orindas da FCA: “Devemos encontrar formas de aproveitar todos os valores e ter um crescimento sustentável para elas”.

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Certo, porém, é a determinação da montadora de investir cada vez mais em tecnologias e serviços de mobilidade, além de ter produtos — alguns siameses, ainda que com a personalidade de cada marca — que atendam as necessidades de diferentes mercados e segmentos.

Os SUVs, tudo indica, merecerão especial atenção, tanto que Tavares destacou que o segmento deve representar mais de um terço das vendas na Europa e China até 2030.

A Stellantis, afirma o CEO, buscará aproveitar também a diversidade de culturas abrigada em seu quadro de 400 mil funcionários de mais de 150 nacionalidades. A empresa está presente em 130 países e começou a ser negociada na segunda-feira, 18, nas bolsas de Paris e Milão, e nesta terça-feira, 19, na de Nova York. São esperadas sinergias anuais da ordem de € 5 bilhões com compartilhamento de plataformas, ganhos de escala, em compras e tecnologias.

Equipe – Também nesta terça-feira, considerada o “Dia Um” da Stellantis, foram revelados os executivos que passam a ocupar os principais postos do grupo e os nove comitês que coordenarão o desempenho e a estratégia de toda a empresa. Dentre os nomes mais conhecidos no Brasil, estão o ex-CEO da FCA Mike Manley, agora responsável pelas  Américas, e Antonio Filosa, nomeado chefe de operações na América do Sul.


Foto: Reprodução/Internet