Após encaminhar propostas à Anfavea e ao Sindipeças em prol da saúde e do emprego, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC se aliou a outras entidades trabalhistas e entregou documento ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, cobrando medidas emergenciais diante do agravamento da pandemia da Covid-19.

A favor do isolamento social, os trabalhadores defenderam a urgência da reedição do programa de complementação salarial em casos de acordos de redução de jornada ou suspensão temporária do contrato de trabalho. Realizado na tarde da quinta-feira, 18, o evento teve a participação do diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva, além do presidente da CUT, Sérgio Nobre, e do coordenador geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), Deyvid Bacelar.

Alegando não haver uma coordenação nacional de enfrentamento à pandemia, o Sindicato do ABC defende ações conjuntas entre representantes dos trabalhadores, empresas e poder público, dentre os quais o isolamento social com a contrapartida de programas de proteção ao emprego e renda. Os trabalhadores também reivindicam a compra de vacinas pelas empresas, para doação ao SUS em um primeiro momento, e a concessão de crédito para as empresas da cadeia produtiva das montadoras.

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“A reunião foi de extrema importância para que, de fato, os representantes dos trabalhadores consigam dialogar com a Câmara dos Deputados sobre políticas de enfrentamento à pandemia”, afirmou Aroaldo. “Para que nossas propostas se efetivem, é fundamental essa articulação com o poder legislativo, já que serão necessários mecanismos para que o setor privado dê suporte ao SUS”.

O sindicalista também comentou que o início de diálogo sobre política industrial com os deputados foi essencial, “visto que até agora não encontramos neste governo nenhuma possibilidade de negociação sobre as questões relacionadas aos trabalhadores e à indústria”.

Na ocasião, os dirigentes também entregaram a pauta conjunta das centrais sindicais pelo auxílio emergencial no valor de R$ 600, por medidas de proteção dos empregos e cobraram um plano nacional de vacinação.

O  presidente da IndustriALL-Brasil, entidade que representa os trabalhadores na indústria da base de sindicatos filiados à CUT e a Força Sindical, disse que o encontro na Câmara dos Deputados também serviu para os sindicalistas apresentarem a importância da indústria de transformação no País.

Dentre outros dados, citou a participação de 11% no PIB, respondendo por 15% do emprego formal e 14,4% da massa salarial. “Reforçamos que cada R$ 1 investido na indústria no Brasil gera R$ 2,63 na economia e que há uma relação direta entre a desindustrialização e a queda da massa salarial de toda a classe trabalhadora. Fizemos a comparação entre o faturamento e a arrecadação de impostos e tributos da indústria e do agronegócio, lembrando que isso tem impacto direto no financiamento do Estado”, comentou Oliveira da Silva.


Foto: Divulgação/Smabc