Balanço do primeiro trimestre do ano da Marcopolo apresentado aos acionistas na terça-feira, 4, registra uma queda na receita líquida da empresa de 9,3% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 834 milhões contra R$ 919,4 milhões.

O lucro bruto chegou a R$ 100,5 milhões, enquanto o EBITDA totalizou R$ 23,5 milhões, com margem de 2,8%, 8,3 pontos porcentuais a menos do que a obtida no primeiro trimestre de 2020, quando os ganhos antes de impostos, juros, depreciações e amortização alcançou R$ 101,9 milhões. A companhia chega ao fim dos três primeiros meses carregando prejuízo de R$ 14,7 milhões.

“O efeito sazonal que observamos regularmente no primeiro trimestre de cada ano somou-se a novos fechamentos de cidades, restrições de locomoção e aumento dos casos da doença, afetando os resultados da companhia e do setor”, observa em nota José Antonio Valiati, CFO e de Relações com Investidores da Marcopolo.

No período a encarroçadora entregou perto de 2,9 mil ônibus em todos os mercados nos quais opera, volume 6,3% inferior ao acumulado do primeiro trimestre de um ano atrás, quando faturou quase 3,1 mil unidades. Para o mercado brasileiro, o maior da companhia, as vendas somaram próximas a 2,1 mil ônibus, 4,4% menores às registradas há um ano.

Embora o mercado esteja menos comprador, o desempenho da Marcopolo revela impacto menos negativo do que a indústria de ônibus em geral. Enquanto a produção nacional registrou declínio de 32,6%, com pouco mais 3 mil chassis encarroçados nos três primeiros meses, a produção da fabricante em Caxias do Sul (RS) somou pouco mais de 2,2 mil ônibus, baixa de 11,4% na comparação com volume produzido no primeiro trimestre do ano passado, de 2,5 mil unidades.

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Segundo relatório, a demanda aquecida pelos serviços de fretamento contínuo e as entregas para o Caminho da Escola amenizaram a retração do resultado. “As entregas ao programa continuarão no segundo trimestre e deverão alcançar volume próximo ao total que vencemos na licitação de 2019, 4,8 mil unidades”, estima Valiati. “Também o mercado de rodoviários e micros deverá ser beneficiado a partir do segundo semestre com a reabertura de escolas e universidades e com a retomada do turismo.”

Com a pandemia, também as exportações arrefeceram. A empresa embarcou 427 unidades no primeiro trimestre ante 648 remessa anotadas há um ano, baixa de 34%. A companhia, no entanto, revela que renegocia entregas para a África com parte dos pedidos transferida do primeiro para o segundo e o terceiro trimestres, além de perspectivas positivas para as operações na Austrália e na Argentina. Enquanto o mercado australiano está praticamente normalizado, o argentino segue com necessidade renovar frota de urbanos.

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Foto: Marcopolo/Divulgação