A Stelanttis conseguiu manter quase intacto seu ritmo de produção programado para o primeiro trimestre no Brasil, enquanto vários concorrentes enfrentaram desabastecimento de componentes, sobretudo eletrônicos, e até paralisaram suas linhas de montagem por conta disso. Esse quadro, no entanto, tem mudado neste segundo trimestre, segundo Antonio Filosa, CEO na América do Sul.

Em sua primeira entrevista coletiva desde que assumiu o comando da operação, em janeiro, o executivo reconheceu nesta quinta-feira, 6,  que a empresa terá maiores dificuldades para não perder produção nas próximas semanas. “Até junho, será o pior período para nós e para toda a indústria”, afirmou Filosa, que, ainda assim, disse desconhecer a situação de outras montadoras no País.

Segundo Filosa, a montadora conseguiu manter o nível de produção até abril por conta de uma boa gestão das áreas de planejamento e compras, relacionamento com fornecedores e, em grande medida, ao elevado índice de nacionalização em seus veículos, ainda que, alertou, muitos sistemas tenham itens importados pelos próprios fornecedores de autopeças.

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Entretanto, na sua avaliação, a irregularidade no fornecimento deve perdurar pelo menos até o fim do ano e, admite, esse gargalo deve impactar o número vendas esperado para os diversos países da América do Sul em 2021.

“A demanda está alta. Dentro do esperado para o Brasil e Argentina, e acima no Chile. Se fosse para fazer, agora, uma nova projeção somente por este aspecto, teríamos que rever os números para cima. Mas podemos ter falta de oferta de veículos. Estamos monitorando esse quadro semana a semana”, ponderou.

Filosa considera que terá um parecer mais próximo da realidade no início do segundo semestre. Por enquanto  trabalha com as expectativas de vendas que tinha já no começo do ano: 2,4 milhões de unidades no Brasil, 400 mil na Argentina e 1 milhão na soma de todos os demais países da América do Sul.

INVESTIMENTOS MANTIDOS E MARCAS

A Stellantis encaminha desde 2018 até 2025 ciclo de investimentos de R$ 16 bilhões no Brasil. Apesar da pandemia e das incertezas que enxerga em 2021 e até 2022, a empresa não reavaliará esses recursos, mantendo, com adiamentos pontuais, o cronograma de seus projetos.

O CEO reafirmou que o grupo oferecerá versões eletrificadas de seus carros na região e que tem planos para todas as atuais cinco fábricas de veículos que dispõe no Brasil e na Argentina. São três originárias da FCA, responsáveis por veículos Fiat e Jeep, e outras duas da PSA — El Palomar, Argentina, e Porto Real, RJ —, bases produtivas de Peugeot e Citroën e que convivem com elevado nível de ocisiosidade há alfguns anos.

No primeiro quadrimestre, as duas marcas francesas venderam, somadas, apenas 11 mil veículos no Brasil, 1,6% do mercado de automóveis e comerciais leves. “Queremos recuperar a participação que elas tinham há dez anos aqui”, revela Filosa, referindo-se a um patamar de 5%.

Esse processo de resgate começou com o lançamento do novo 208 e segue este ano com a apresentação de um SUV compacto da Citroën fabricado em Porto Real, substituto dos já aposentados C3 e Aircross.


Foto: Divulgação

George Guimarães
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