Em 10 de maio, a General Motors comunicou a produção de uma inédita picape em sua fábrica de São Caetano do Sul, SP. O modelo, afirmava a montadora em nota, seria complementar à atual linha de comerciais leves formada pela S10 e pela compacta Montana.

Mas bastaram menos de 24 horas para o sindicato dos metalúrgicos da cidade do ABC informar que a GM deixara de fabricar a Montana em abril. O modelo derivado do aposentado Agile e há 11 anos no mercado sempre teve papel secundário nos emplacamentos do segmento, passando muito longe dos resultados comerciais das líderes Fiat Strada e Volkswagen Saveiro.

Nos últimos três anos, porém, as vendas da Montana minguaram de forma ainda mais acentuada. Em 2020, foram negociadas somente 6,6 mil unidades, enquanto a Strada vendeu 80 mil unidades, 12 vezes mais, e a Saveiro, 31 mil licenciamentos, quase o quíntuplo,

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O desempenho no primeiro quadrimestre de 2021 apenas evidenciou que a Montana não tinha mesmo muito mais tempo pela frente: enquanto a picape Fiat alcançou 41,5 mil emplacamentos, crescimento de 250% sobre igual período do ano passado, a Saveiro manteve o equilíbrio com 10,2 mil unidades vendidas e a representante da GM quase desaparecera, com meros 1,2 mil licenciamentos, média de 300 por mês.

À GM, portanto, restava investir em um modelo totalmente novo derivado do atual Onix, caso quisesse se manter no segmento. Mas, ao afirmar que terá um produto em faixa inédita, a montadora, consequentemente, admitiu ter aberto mão do confronto com a Strada e elevado a régua da disputa para enfrentar outra Fiat, a também líder Toro.

O desafio não é muito menor. A Toro acaba de passar por face-lift e tem como concorrente direto, por enquanto, somente a Renault Oroch — já também muito carente de uma nova geração —, ainda que a Fenabrave a relacione no ranking de picapes grandes e que conta com outra meia dúzia de modelos, dentre eles a própria S10 da GM.

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De qualquer maneira, escapar do confronto com a Strada parece ser uma boa alternativa de curto prazo. Com a nova geração há apenas 1 ano no mercado, a picape Fiat tem empilhado recordes sobre recordes e assumiu a liderança geral de vendas de veículos no Brasil em 2021, fato inédito para um comercial leve.

Encerrou os primeiros quatro meses com nada menos do que 78% das vendas de picapes compactas, contra 68% em 2020 e 58% no ano anterior.

E a Fiat, não satisfeita com esse “passeio”, promete apresentar ainda este ano versões dotadas de câmbio automático CVT, conforto demandado por boa parte dos clientes que, atraídos pelo desenho da nova geração e a cabine dupla de quatro portas, também passaram a ver no modelo uma alternativa interessante para o lazer e famílias.

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Não será surpresa, assim, se a Volkwagen também seguir a trilha tomada agora pela GM e finalmente tirar do computador a picape Tarok, apresentada como conceito no Salão do Automóvel de São Paulo lá em 2018 e que, de tão identificada com o segmento e linhas da Fiat Toro, foi batizada por alguns de “Torok”.

A Volkswagen tem ainda outra alternativa que seria uma geração totalmente nova da Saveiro baseada na plataforma MQB, atual base do Polo, T-Cross e Virtus e confirmada para novos veículos de entrada da marca, com produção em Taubaté, SP, e que substituirá a atual família do Gol, exatamente de onde vem a Saveiro.

Não é uma equação de fácil solução, ainda mais depois do acerto da Fiat com a nova geração da Strada e do sucesso da Toro. Os departamentos de marketing e de finanças da Volkwagen sabem disso, tanto que estão debruçados sobre essas escolhas há pelo menos três anos.


Foto: Divulgação