OSindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, BA, informa que o Ministério Público está acompanhando de perto a situação dos trabalhadores das autopeças que funcionam fora do Complexo Ford e eram suas fornecedoras até o fechamento da fábrica local da montadora no início do ano.

De acordo com o diretor de comunicação da entidade, Kleiton Alder, cinco empresas fornecedoras de autopeças, que abrangem 6 mil metalúrgicos, se recusaram a negociar as devidas indenizações aos funcionários que tinham acordo de estabilidade por 4 anos em função do projeto de um novo modelo a ser produzido pela Ford em Camaçari.

“Desde o começo tentamos negociar para assegurar o direito de indenização o mais rápido possível. Mas não houve reciprocidade e o sindicato decidiu, então, entrar com ações judiciais para garantir os direitos dos trabalhadores”, explica Alder.

Dirigentes do sindicato se reuniram no dia 19 de maio, na sede da entidade, com trabalhadores da Magna Cosma, Magna Seating, Sian, Tenneco, Sodecia Planta 2 e outras empresas do setor de autopeças que, segundo a entidade, demitiram em massa após o encerramento das atividades do Complexo Ford Camaçari.

Na avaliação do presidente do sindicato, Júlio Bonfim, esta é uma questão de responsabilidade não somente das empresas de autopeças, mas também da própria Ford: “Ao fechar as portas em Camaçari, a montadora provocou uma avalanche de demissões em cascata, um efeito dominó, atingindo empresas de fora do parque industrial, onde os grandes prejudicados são os trabalhadores metalúrgicos”.

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O sindicalista informa, ainda, que o Ministério Público vai ouvir um trabalhador de cada empresa” para ter a real dimensão dos problemas e entender a melhor forma de ajudar a categoria”.

No início de maio, após reuniões que se arrastaram por meses, a entidade sindical fechou acordo com a Ford, no qual ficou estabelecido o pagamento de no mínimo R$ 130 mil para quem aderisse ao PDI, Programa de Demissão Incentivada, proposto pela montadora.

Levantamento da Anfavea sobre nível de emprego no setor detectou em maio uma redução de 600 postos de trabalho – de 114,7 mil para 114,1 mil -, grande parte, segundo reconheceu o presidente da associação, Luiz Carlos Moraes, decorrente do acerto feito pela Ford com os trabalhadores de Camaçari e Taubate, SP, onde produzia motores.


Foto: Divulgação/Sindicato de Camaçari