Em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira, 4, os trabalhadores da fábrica da General Motos em São Caetano do Sul, no Grande ABC, decidiram continuar a greve iniciada na sexta-feira, 1. A montadora não aceitou aplicar o reajuste de 10,42%, equivalente ao INPC, a partir de 1º de setembro, data-base da categoria.

Segundo os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, houve uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na tarde de sexta-feira, durante a qual a GM pediu a volta ao trabalho neste início de semana com a promessa de realizar nova rodada de negociação na quarta-feira, 6. Os trabalhadores, no entanto, decidiram manter a greve.

A proposta da empresa é aplicar o reajuste salarial só a partir de fevereiro do ano que vem e, ainda assim, em índice inferior ao do INPC. Os trabalhadores não só querem a vigência a partir da data-base, como também reivindicam um aumento real de 5%.

Em nota oficial, a General Motors diz estar fazendo todos os esforços para chegar a um acordo que seja bom para ambas as partes: “A empresa espera que a situação possa ser resolvida o quanto antes, com um acordo viável e sustentável e que, rapidamente, as operações de nossa fábrica estejam totalmente normalizadas”.

A GM, atualmente, prepara a fábrica de São Caetano para produzir uma nova picape no País, que manterá o nome de Montana. É a montadora que mais enfrentou problema ao longo dos primeiros oito meses do ano por causa da falta de semicondutores, que provocou a paralisação das operações em Gravataí, RS, por mais de cinco meses.

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A retomada só aconteceu em 16 de agosto e no mês passado o novo presidente da GM América do Sul, Santiago Chamorro, anunciou que todas as suas fábricas estariam operando em dois turnos a partir deste mês. O executivo assumiu o cargo após saída repentina de Carlos Zarlenga, que deixou a empresa em plena crise com a rede de concessionárias, que chegou a receber indenização em julho e parte de agosto por causa da falta de produtos.

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Dentre outras pendências na campanha salarial deste ano, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano informa que a estabilidade no emprego para lesionados não é para todos. Apenas quem foi contratado antes de 2017 tem direito a esse benefício e a empresa, segundo a entidade sindical, quer manter a exclusão dos novos na cláusula 42 e reduzir o período de estabilidade dos antigos. “Com essa manobra, aos poucos esse direito desaparecerá da convenção coletiva”, revela o sindicato.


Foto: Divulgação/GM