As exportações brasileiras de veículos recuperaram em 2021 apenas parte das grandes perdas registradas no ano anterior e em 2019. A recuperação mais rápida de alguns mercados de destino e o câmbio favorável ajudaram nos embarques de 376,4 mil carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus, sendo 41,6 mil só em dezembro.

O número anual foi 16% superior ao total destinado a outros países em 2020, quando a pandemia interrompeu por semanas o fluxo dos negócios internacionais e somente 324,3 mil unidades passaram pelos portos brasileiros. A comparação com os anos imediatamente anteriores confirma o fraco desempenho do setor: em 2019, o Brasil exportou 433,5 mil veículos, enquanto em 2018 atingiu 629 mil, 67% a mais do que no ano passado.

Por conta da mudança no perfil dos produtos exportados, em especial de um número maior de pesados, que passaram de 17 mil em 2020 para 27 mil, o faturamento com a exportações evoluiu proporcionalmente mais em 2021.Os US$ 7,6 bilhões arrecadados em 2021 — US$ 749 milhões só em dezembro — representaram avanço de 37,8% sobre 2020, o melhor resultado desde 2018, quando os embarques somaram US$ 11,1 bilhões.

Chile, Peru, Colômbia e Uruguai compraram mais em 2021.  Já as restrições impostas pelo governo argentino e a própria recuperação mais lenta das vendas impediram melhor desempenho da Argentina, que importou 21% a menos. O país, de qualquer forma, seguiu como o principal mercado para os veículos brasileiros, mas pela primeira vez representou menos da metade dos embarques, algo próximo de 128 mil unidades, 34%.

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O Chile, que em 2020 comprou somente 4% das exportações brasileiras, mais que dobrou essa fatia em 2021, para 11%. Foi o terceiro maior comprador, imediatamente atrás da Colômbia, que também ampliou sua participação de 11% para 14% na mesma comparação. As vendas para o México caíram  2%, mas, com 17%, o país segue como segundo maior mercado dos produtos brasileiros.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, não vê grandes alterações na atividade exportadora em 2022. Estima modesto crescimento de 3,6% sobre o resultado de 2021. “Devemos chegar a uns 390 mil veículos”, calcula, enfatizando que a projeção leva em conta câmbio flutuante ao redor de R$ 5,50 por dólar, mas não um drástico agravamento do quadro local e internacional da pandemia da Covid-19.

Segundo a Anfavea, os embarques de automóveis e comerciais leves, que somaram 349 mil em 2021,  um crescimento de 13,8% sobre o ano anterior, devem avançar  3,3% em 2022, menos da metade da evolução prevista para o segmento de veículos pesados que poderá beirar as 29 mil unidades, 7,7% a mais.

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