Empresa lançará vários modelos compactos a partir de 2028 com preços estimados ao redor de € 15 mil

Na próxima quinta-feira, 21, a cúpula global da Stellantis estará reunida nos Estados Unidos para participar da divulgação do plano estratégico que orientará as ações da montadora nos próximos anos. Será o primeiro integralmente articulado pelo CEO Antonio Filosa, que assumiu o posto mais elevado do grupo há menos de um ano.
Não faltam especulações a respeito dos diversos pontos que estarão contemplados no novo plano global. Alguns. entretanto, já são bem visíveis a partir de recentes anúncios da empresa, como compartilhamento de projetos e até de suas fábricas europeias com maiores índices de ociosidade com fabricantes chineses.
O risco é calculado. Ao mesmo tempo em que reduzirá custos a Stellantis sabe que a produção local das montadoras chinesas podem, e devem, aumentar o já incômodo poder de fogo das concorrentes em segmentos vitais para a indústria automobilística europeia.
O problema é: se não for a Stellantis a acelerar desenvolvimento e reduzir custos por meio de associação com a indústria chinesa, outras empresas têm essa mesma estratégia e começam a implementá-la.
Não deixa de ser também um via de várias mãos. Na semana passada, a montadora anunciou que está retormando parceria histórica com a Dongfeng para produzir, a partir de 2027, veículos elétricos com as marcas Peugeot e Jeep na China para vendas internas e também mercados internacionais.
Na Europa, além da abertura de linhas de produção para a controlada e parceria mundial chinesa Leapmotor, a possibilidade de a Dongfeng também se valer dessa contrapartida tem pautado as conversas mais recentes e motivado visitas de executivos chineses a unidades produtivas da Stellantis em vários países, França e Itália incluídos.
Filosa confirmará esse e outros movimentos na quinta-feira. Um deles, também com objetivo de alavancar a eletrificação de seu portfólio na Europa — um mercado que representa grandes desafios para a lucratividade das montadoras locais, cada vez mais pressionadas pela ascensão chinesa —, será a oferta de veículos baratos compactos e subcompatos, uma especialidade europeia abandonada nos últimos anos, mas agora movidos a bateria.
Nesta terça-feira, apenas dois dias antes da divulgação do plano global, a Stellantis revelou que fabricará E-Car, projeto de carros elétricos compactos e acessíveis, com a produção dos primeiros modelos, de várias de suas marcas, prevista para começar em 2028.
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A letra “E”, explica nota da montadora, “representa Europeu, Emoção, Elétrico e Sustentabilidade”. Serão opções urbanas e movidas integralmente a bateria, produzidas exclusivamente na Europa para impulsionar a indústria local.
A ideia, segundo fontes ouvidas pela imprensa europeia, é que os E-Car custem ao redor de € 15 mil, pelo menos 20% abaixo da média atual dos veículos de entrada mais competitivos.
“Nossos clientes pedem o retorno de veículos pequenos, com design atraente, produzidos na Europa e, ao mesmo tempo, acessíveis e sustentáveis. A Stellantis responderá a essa demanda com modelos para diferentes marcas”, afirmou Filosa, que antecipou que os E-Car serão montados na fábrica de Pomigliano D’Arco, Itália, que produz, por exemplo, o Fiat Panda.
Em tempo: os E-Car, admite a montadora, serão equipados com tecnologias elétricas desenvolvidas em parceria “com fornecedores estratégicos”, com o objetivo de ampliar a acessibilidade e acelerar o tempo de chegada ao mercado.
Foto: Divulgação
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