De Belo Horizonte
Esqueçam a Peugeot com produtos de entrada e em busca de maior volume de vendas no Brasil. A Stellantis já definiu que a marca francesa atuará, daqui para frente, em nichos do mercado, nos quais sofisticação e tecnologia são dois dos principais pilares.
Para encaminhar esse reposicionamento da tradicionalíssima francesa, assim como em menor grau da Citroën, que se dedicará a complementar a oferta da Fiat no País e região, a montadora lançará mão de sua cooperação internacional com a chinesa Dongfeng, que também terá papel relevante na Europa.
Em conversa com jornalistas da qual AutoIndústria participou, na última quarta-feira, 8, em Belo Horizonte, MG, Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, esclareceu que o futuro da Peugeot no Brasil também implicará no aproveitamento de plataformas, tecnologias e veículos desenvolvidos em conjunto com a parceira asiática.
Zola destacou como exemplo dois modelos eletrificados — um deles um SUV —, exibidos no último Salão de Pequim e que serão fabricados pela própria Dongfeng, como a rota a ser perseguida pela Peugeot também por aqui.
A colaboração entre as marcas originárias da PSA Peugeot Citroën e a Dongfeng na China é antiga, desde a década de 90. Permaneceu quase adormecida nos últimos anos, mas foi retomada com vigor nos últimos meses, inclusive com a criação de joint venture internacional.
Segundo Zola, os projetos em análise são globais e poderão ser utilizados também por outras marcas do grupo. “Dependerá da competitividade que conseguirmos alcançar em cada mercado!”, disse, reconhecendo que no Brasil a atuação da Peugeot, a partir da produção centralizada na Argentina há três anos, não alcançou os resultados esperados.
A marca fechou o primeiro semestre com somente 0,6% de participação em automóveis. No ano passado, conseguiu pouca coisa mais, 1%, mas abaixo do 1,6% de 2021, quando a Stellantis foi criada e seu então presidente na América do Sul e atual CEO mundial, Antonio Filosa, projetara recolocar a dupla Peugeot-Citroën no patamar dos 5% de participação em até três anos.
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Com o projeto C-Cubed, que envolveu o lançamento dos atuais Citroën C3, Aircross e Basalt, a Citroën até conseguiu ligeira recuperação, de 1,3% em 2021 para 1,9% no ano passado. Nada, porém, que compessasse a perda da produção dos Peugeot 208 e 2008 para a operação argentina e reduzisse a grande ociosidade da fábrica de Porto Real, RJ, agora rediviva com o início da fabricação do Jeep Avenger.
Ao detalhar a nova estratégia, Zola fez questão de frisar que as francesas terão posicionamentos distintos e complementares de Fiat e Jeep, as marcas líderes da Stellantis em vendas no Brasil e América do Sul. Até agora, lembrou, os produtos lançados desde a fusão entre PSA e FCA faziam parte de programas concebidos antes da criação da Stellantis e que, em boa medida, concorrem com modelos das demais marcas do grupo.
Veículos no Donfeng no Brasil
O executivo já admitira ao AutoIndústria, no começo de junho, que a operação sul-americana estudava, além da distribuição de modelos da Dongfeng na região, responsabilidade divulgada dias antes em encontro mundial da cúpula da Stellantis em Detroit, Estados Unidos, a produção de veículos de origem chinesa no Brasil.
A afirmação chamou a atenção também pelo fato de a própria Dongfeng ter admitido em abril, no salão chinês, que encaminhava tratativas de montagem com a Nissan, em Resende, RJ, em fábrica localizada a poucos quilômetros de Porto Real.
A Dongfeng terá carros produzidos pela Stellantis e Nissan no Brasil? A resposta de Zola foi curta e objetiva: “Não. Ou uma ou outra”. Depois ponderou que os planos para montagem local surgiram com o fechamento do acordo internacional, oficializado em abril. Ou seja, bom tempo depois de a marca chinesa iniciar conversas com a Nissan brasileira.
De qualquer modo, a parceria global deve acelerar ainda mais o processo para que a Stellantis disponha de produtos eletrificados mais rapidamente em todo o globo, a exemplo da atuação conjunta com a também chinesa Leapmotor e que terá seus veículos montados em Goiana, PE, já em 2027, inicialmente a partir de kits CKD e SKD importados. “Precisamos ser mais rápidos”, afirmou Zola.
Com compactos e SUVs, Fiat e Jeep seguirão como marcas destacadas da Stellantis na América do Sul, ao lado da RAM, dedicada exclusivamente a picapes, segmento que responde por 25% das vendas na região e que tem a Fiat na liderança absoluta do mercado brasileiro.
Já Peugeot e Citroën ingressam em nova fase, focadas em territórios restritos e, particularmente no caso da primeira, tendo a conexão com a indústria chinesa como fator determinante para a viabilização de sua trajetória na América do Sul nos próximos anos.
Foto: Divulgação
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