Por Lael Costa

Quando a crise dos últimos anos ainda não se mostrava inteiramente, com ares de nuvem passageira, em algum lugar entre o último trimestre de 2014 e o primeiro de 2015, a Cummins decidiu adotar uma postura mais realista e se preparar para pior, embora esperasse pelo melhor.

Para Luís Pasquotto, presidente da Cummins Brasil e vice-presidente da Cummins Inc., aceitar a turbulência e dela fazer plano estratégico, apesar de difícil, foi a escolha mais acertada. “A empresa sai revigorada depois de anos tão complicados, os piores da história.”

Com a crise no colo a empresa tratou de olhar para dentro. Melhorou processos, reduziu custos, otimizou fábrica, interrompeu planos, inclusive o de uma nova unidade fabril, em Itatiba (SP), como também enxugou quadro. Mas também não deixou de lado desenvolvimentos, investimento em inovações e na manutenção da engenharia. “Não adianta nada fazer a lição de casa e esquecer do mercado, deixar o cliente na mão com a falta de soluções atuais e futuras.”

Segundo Pasquotto, o que parece ser sem saída muitas vezes se apresenta como oportunidade. Com a facilidade de comunicação, o período difícil permitiu à engenharia brasileira integração mais próxima com outros centros técnicos da empresa ao redor do globo. “E já vamos pelo segundo ano consecutivo com a prática.”

Agora, quando a economia parece a mostrar sinais de recuperação, os resultados dos sacríficos também despontam. A amostra do que a fabricante levou para a Fenatran 2017 é prova disso. “Ninguém compra motor na feira, mas reforçamos nossa marca. É a oportunidade de mostrar que não paramos durante a crise.”

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O arsenal da companhia exposto também revela as suas capacidades. Estão lá tradicionais motores diesel, como 2.8 e 3.8 litros da família ISF, ambos já nacionalizados e, o primeiro, inclusive, recém-desenvolvido com tecnologia EGR, de recirculação de gases, aplicado agora na nova linha Delivery, da Volkswagen Caminhões e Ônibus, os novos motores ISB de 6,7 litros com 310 cv e um de ISG de 12 litros, os dois em desenvolvimento para clientes.

Mas não é somente motor a diesel, a fabricante levou também soluções de conectividade, de gestão, a gás e propulsão elétrica. Sim, a eletrificação é parte da estratégia da empresa. “A Cummins não é mais só uma fabricante de motor. Entregamos diversidade de energia. Temos capacidade financeira e tecnologia para liderar.”

Se a crise trouxe um lado bom, também a melhoria da economia traz outros. Acabou a conversa de redução de horas, a empresa já trabalha normalmente em expediente de um turno cheio e, em algumas linhas, introduziu até o segundo turno. E férias coletivas fim de ano, agora, nem pensar.


Foto: Cummins/Divulgação