O estrago na imagem e nas vendas da Ford gerado pela decisão da empresa de encerrar as atividades da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) foi grande nos primeiros cinco meses do ano. A montadora encerrou 2018 como a terceira maior no mercado interno de automóveis, com 9,8% de participação, e agora aparece no sexto posto, com 8,8% dos emplacamentos.

O quadro no segmento de comerciais leves começa a se complicar também. Ainda que em participação a marca tenha recuado menos, 0,4 ponto porcentual no ano — passou de 5,6% em 2018 para 5,2% no acumulado até maio, a picape média Ranger perdeu a quarta posição entre os modelos mais vendidos.

Com menos de 7.870 unidades negociadas, foi ultrapassada pela já veterana Volkswagen Amarok (7.922) e está muito longe da terceira colocada Chevrolet S10 (11.243). O segmento tem a Toyota Hilux (16.767) na segunda colocação e, disparada, a Fiat Toro na liderança, que somou quase 23,7 mil licenciamentos em cinco meses.

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Não por outro motivo a Ford está querendo fazer muito barulho com a linha 2020 da Ranger, que apresentou nesta terça-feira (25) em Mendoza, Argentina, e que já está chegando na rede de concessionárias da marca. Até porque a montadora não esconde sua estratégia global de centar esforçoa não mais em carros de passeio, mas  especificamente em utilitários esportivos e nas picapes.

Porém, mais do que modificações na estética da picape — quase imperceptíveis para o observador menos atento e limitdas a detalhes da grade dianteira, grafismos, penduricalhos e rodas liga leve — a empresa, por enquanto, aposta na elevação do nível de recursos tecnológicos casada com modificações em componentes e com a manutenção dos preços.

A linha 2020 custa o mesmo que a 2019, frisa a montadora. Parte de R$ 128.250 da versão XLS 2.2 4×2 automática e chega a R$188.990 da Limited 3.2 4×4 automática.

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Nas versões superiores, o modelo, fabricado em General Pacheco, na Província de Buenos Aires, já contava com controle de velocidade adaptativo e assistente de manutenção de faixa com correção de trajetória. A linha 2020 da Limited passou a disportambém de sistema de frenagem automática.

Caso identifique outros veículos, ciclistas ou até pedestres, a Ranger freia até a imobilidade se o sistema não perceber qualquer reação do motorista. Isso entre 5 km/h e 60 km/h. Além desse limite, a colisão não será evitada, mas atenuada.

Se ganhou em conteúdo, a linha Ranger perdeu em opções, pois a Ford tirou de linha as versões flex. A montadora argumenta que desde 2013, quando elas e as versões de entrada respondiam  por 61% das vendas da picape, o quadro se alterou  drasticamente e as versões intermediárias e de topo passaram a responder por mais de 80% dos emplacamentos no Brasil. Hoje, afirma a Ford, as picapes flex não ultrapassam 8% das vendas do segmento.

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Agora os brasileiros poderão escolher apenas pelos motores diesel Duratorq  2.2 ou  3.2. A versão de entrada é a 2.2 XL com tração 4×4 e transmissão manual. A intermediária é a 2.2 XLS, com tração 4×2 e transmissão automática ou 4×4 com transmissão manual ou automática. Há ainda a 3.2 XLT, com 4×4 e automática, e a 3.2 Limited, também  4×4 automática, segue como a topo gama.

“Para o cliente da flex, oferecemos hoje a versão XLS diesel, uma opção mais inteligente com preço próximo das versões flex da concorrência”, justifica  Fabrizzia Borsari, gerente de Marketing Produto da Ford. “Não por acaso, a Ranger XLS é líder disparada na sua faixa de mercado.”


Foto: Divulgação/Ford