Balanço das vendas importados divulgados pela Abeifa na quarta-feira, 3 de julho, apresentou desempenho abaixo das expectativas iniciais da associação. Nos primeiros seis meses do ano, as 16 marcas associadas à entidade entregaram ao mercado 16,2 mil unidades, volume 9,6% menor em relação aos emplacamentos registrados no mesmo período do ano passado, de 17,9 mil veículos.

Somente no último mês, o mercado absorveu 2,6 mil unidades, queda de 11,1% na comparação com junho de 2018, quando as vendas alcançaram pouco mais de 3 mil licenciamentos.

LEIA MAIS

→Importadores de veículos querem crescer 33% este ano

→Veículos importados têm desempenho aquém do esperado

→Governo estuda reduzir imposto de importação, diz Abeifa

Para José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, o ambiente econômico ainda é carregado de incertezas, o que influência o preço do dólar. “Ainda enfrentamos muitos problemas com as oscilações do câmbio. Qualquer pequena variação de 2% muda muito o nosso resultado.”

Gandini lembra ainda manifestações de pessoas ligadas ao novo governo nas redes sociais que desestabilizam o humor do mercado financeiro. “O grande problema do País hoje é político”, mas ressalta acreditar em um cenário mais favorável após a aprovação da reforma da Previdência.

Diante do resultado negativo do primeiro semestre e considerando melhores perspectivas para a segunda metade do ano, a Abeifa revisou suas projeções para 40 mil unidades negociadas em 2019, 10 mil a menos do que as 50 mil iniciais.

Anúncio

Se consolidada a estimativa, o segmento de importados crescerá em torno de 7% em relação a 2018, quando as vendas acumuladas chegaram a 37,6 mil unidades.

“Para a cumprir a previsão anterior, teríamos de entregar mais de 5 mil carros por mês até o fim, o que acho difícil. Prefiro estimar 24 mil para os próximos seis meses.”

O desempenho obtido pelas associadas com produção nacional se mostrou o oposto do resultado de importados. As vendas de BMW, Caoa Chery, Land Rover e Suzuki somaram 14,5 mil unidades, alta de 44% sobre o volume registrado há um ano, de 10,7 mil veículos.

O balanço, porém, mostra a Caoa Chery como a marca que impulsionou o resultado. No mesmo acumulado, a fabricante obteve um crescimento de 276%, para 8,5 mil carros vendidos contra 2,2 mil licenciados nos primeiros seis meses do ano passado.

Todas as outras montadoras registraram quedas nas vendas de veículos produzido no País no primeiro semestre: a BMW, 10%, a Land Rover, 46%, e a Suzuki, 12%.

Acordo Mercosul-UE – Durante divulgação dos resultados das associadas da Abeifa, Gandini comemora a conclusão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, mas diz não ter o que a comentar, pois ainda não há de concreto a respeito do setor automotivo na negociação. “Tudo ainda precisa ser regulamentado, como volumes de cotas e prazos. Neste momento, mais importante que o acordo, é reforma da Previdência, que promoverá resultados imediatos.”


Foto: Abeifa/Divulgação