O fim dos bonus concedidos na metade do ano para a compra de veículos nacionais comprovou o que se temia: produção e vendas na Argentina não reagem e seguem ladeira abaixo. Em setembro, novamente os números foram negativos nos dois casos.

Nos 21 dias úteis do mês passado, saíram das linhas de montagem argentinas 27,7 mil veículos, queda de 10,2 % sobre o resultado de agosto, período ainda em que os descontos sobre os preços finais exerciam alguma influência positiva sobre a produção, e de 25,7 % diante do total alcançado no mesmo mês do ano passado.

Esse desempenho deu sequência à série de recuos mensais que resultaram em queda acumulada de 34,9% em 2019. De janeiro a setembro, foram fabricados na Argentina somente 241,3 mil automóveis e utilitários.

Linhas de proução cada vez mais ociosas refletem sobretudo o pequeno fluxo de clientes nas concessionárias, que receberam das montadoras 26,9 mil veículos em setembro, 29,3 % a menos do que em agosto e expressivos 37 % abaixo do que foi negociado no atacado no mesmo mês de 2018.

O recuo anual, porém, é ainda mais doloroso para um setor que até recentemente imaginava vender perto de 1 milhão de veículos ao longo de um ano. Nos nove meses corridos de 2019, foram entregues aos distribuidores 291,2 mil unidades, queda de nada menos 48,3% sobre igual período do ano passado.

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Com 21,6 mil veículos embarcados, as exportações foram as únicas atividades da indústria automobilística argentina a registrar crescimento em ao menos um comparativo. Ainda assim, o mensal: superaram o resultado de agosto em 14,4%, mas ficaram 7,8% aquém do número registrado um ano antes.

Mas ao longo de 2019, o quadro das exportações também não motiva qualquer tipo de comemoração. Passaram pelos portos rumo a outros mercado até setembro, principalmente para o Brasil, 168 mil automóveis e comerciais leves, queda de 15,3% na comparação anual.


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