Sem definição até agora sobre a possível compra pelo Grupo Caoa, a Ford Caminhões de São Bernardo do Campo, SP, encerra suas atividades nesta quarta-feira, 30. Apesar de ser uma ação esperada desde o dia 20 de fevereiro, quando foi anunciada a decisão de fechar a fábrica do ABC paulista, havia grande expectativa quanto à venda das instalações do bairro do Taboão antes deste 30 de outubro, com perspectiva de manutenção de ao menos parte dos empregos.

Para marcar o fim das operações da Ford em São Bernardo, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC promoveu uma assembleia na manhã desta terça-feira, 29, para orientar os trabalhadores sobre novas oportunidades de trabalho e explicar os motivos pelos quais as negociações para a compra do complexo industrial ainda não foram concluídas.

De acordo com a entidade, o que estaria emperrando a compra da Ford Taboão pela Caoa é a dificuldade de obtenção de um empréstimo no BNDES. Na ocasião, inclusive, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, cobrou do governo federal a liberação do financiamento do BNDES para a conclusão do processo de compra da fábrica da Ford pela Caoa.

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Consultado nesta terça-feira, 29, sobre o andamento das negociações, o Grupo Caoa não fez qualquer pronunciamento. No início de setembro, a direção da empresa brasileira havia prometido uma definição em 45 dias, prazo já vencido sem que no período houvesse novas informações oficiais sobre o possível negócio.

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O governador de São Paulo, João Dória, começou a intermediar a venda da fábrica de Taboão logo após o anúncio do seu fechamento e chegou a anunciar na cerimônia de abertura da Fenatran, agora em outubro, que na próxima edição do evento, em 2021, a marca Ford Caminhões estaria presente no evento. Até o momento, no entanto, nada de novo sobre o assunto.

Em fevereiro, quando decidiu encerrar as operações do ABC, a Ford empregava no local 2,7 mil trabalhadores, segundo informações do Sindicato do ABC. Ao longo dos últimos oito meses, um PDV, Programa de Demissão Voluntária, contribuiu para a redução de 1,5 mil vagas.

Dos 1,2 mil trabalhadores ainda existentes, cerca de 600 são da parte administrativa e deverão ter seus empregos preservados. Vale lembrar que, além dos caminhões, a Ford também produzia no ABC paulista o Fiesta Hatch, que saiu de linha em julho passado.


Foto: Divulgação/SMABC/Adonis Guerra