Metalúrgicos e Renault ingressaram em um impasse após assembleia dos trabalhadores, realizada na sexta-feira, 17, recusar proposta da montadora de pacote que objetiva, inicialmente por meio de PDV, reduzir 800 postos de trabalho na planta de São José dos Pinhais, PR. A empresa alega necessidade de adequar sua estrutura produtiva ao mercado interno decrescente, cujas projeções indicam queda de até 45% ao final de 2020.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba enviou ofício para a montadora na própria sexta-feira, no qual afirma que aguardará 72 horas por uma nova proposta. Caso contrário, afirmou a entidade em nota, os trabalhadores estão dispostos a iniciar greve já a partir desta-quarta-feira, 22.

A Renault, que conta com cerca de 7,2 mil funcionários, ofereceu o pagamento de 3,5 a 6 salários extras —considerando dois previstos pela MP 936 —, a depender do tempo de contrato do funcionário, convênio médico por mais um ano e vale mercado até dezembro, além da primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), para os trabalhadores que aderirem ao PDV.

LEIA MAIS

→ Anfavea projeta volta da produção pré-pandemia só em 2025

Já para os funcionários que decidirem permanecer da empresa, dentre outros itens, foram propostas a suspensão de reajustes em 2020 e 2021 e abono de R$ 3,5 mil. Em nota e comunicado em vídeo, Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, disse que “a proposta é ruim para quem sai e para quem fica”.

A montadora, por outro lado, recorda que vem mantendo diálogo com o sindicato desde fevereiro sobre a data-base e PLR e também para “soluções para esse momento desafiador que atravessamos”. Enfatiza que a proposta apresentada na quarta-feira passada foi baseada, com melhorias, em outra aprovada pelo próprio sindicato e que resultou em acordo dos trabalhadores com outra empresa do setor na região.

As vendas da Renault caíram 46,9% no primeiro semestre, para quase 60 mil automóveis e comerciais leves, ante 39% da média do mercado. Sua participação, que chegou a 9% em 2019, melhor resultado anual na história da marca aqui, ficou em 7,9% até junho.

Anúncio

Vendas e produção em baixa já se refletem no quadro de mão de obra do setor. Em junho 1,1 mil pessoas perderam o emprego nas fábricas de automóveis. Só na Nissan, parceira global da Renault, foram dispensados 398 trabalhadores. Nos últimos 12 meses, 5,2 mil vagas foram fechadas nas montadoras, que agora reúnem 124 mil funcionários.

LEIA MAIS

→Renault investe “na base” para recuperar colocação histórica

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, admite um maor número de demissões no setor em decorrência dos novos níveis de produção  e venda. “É grande a possibilidade de redução do nível de emprego após outubro ou novembro”, comentou o dirigente, referindo-se aos meses em que vencerão os acordos trabalhistas firmados a partir de abril com base na Medida Provisória 936.

Vendas mundiais —  O  impacto da pandemia da Covid-19 foi expressivo nos negócios globais do Groupe Renault no primeiro semestre. Com a suspensão de vendas e produção na maioria dos mercados ondem atuam, as diversas marcas do conglomerado francês acumularam pouco mais de 1.256.568 automóveis e comerciais leves vendidos, 34,9% a menos do que em igual período do ano passado.

A empresa, contudo, afirma que iniciou a segunda metade do ano com  nível muito alto de pedidos” e “nível satisfatório de estoque”.

Na  Europa, principal mercado do grupo francês, foram vendidos 623.854 veículos, 41,8% abaixo de igual período do ano passado. Em comunicado, a montadora relacionou como destaques negativos os desempenhos dos mercados da Rússia, Índia, Brasil e China.


Foto: Divulgação