Os mais recentes lançamentos de automóveis têm feito bem à Volkswagen. A montadora liderou o mercado interno nos dois últimos meses e em julho comemorou também o T-Cross como o carromais emplacado no País. As vendas da marca recuaram perto de 29% no acumulado dos sete primeiros meses do ano, significativamente  abaixo dos 37% da média do mercado e do imaginado recuo de 40%,  ou  até mais,  quando do início da pandemia,

E são esses os índices que devem perdurar até o fim do ano, segundo Pablo Di Si, CEO da montadora para a América Latina. “O setor está um pouco melhor do que esperávamos”, admitiu o executivo nesta terça-feira, 25, em participação no ABPlanOn, seminário online organizado por Automotive Business (www.automotivebusiness.com.br).

A Volkswagen negociou 155,7 mil veículos de janeiro a julho, participação de 16,8% contra 17,5% da líder GM. No encerramento de 2019, a diferença entre as duas marcas era superior  — 17,9% ante 15,6% — e no mesmo período do ano passado a Volkswagen detinha 15,1%.

Os números menos desfavoráveis, entretanto, não impedem que Di Si veja a continuidade de um cenário de dificuldades para operação brasileira no curto prazo. Tanto que a empresa encaminha esta semana várias reuniões com sindicatos para debater medidas de redução de custos e do quadro de funcionários de suas quatro fábricas no País.

Na semana passada, AutoIndústria revelou, com exclusividade, que a montadora apresentara para discussões com os trabalhadores a necessidade de cortar até 35% dos cerca de seus 15 mil empregados atuais, incluindo terceirizados.

“Eu disse há algum tempo que o último impacto da crise deveria ser sobre as pessoas. Nunca falamos em número de funcionários, mas sim que precisamos adequar nossa estrutura ao mercado. Essas discussões não começaram na semana passada e seguirão de forma transparente, como foram até aqui”, afirmou, na transmissão online para executivos do setor.

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Di Si não vê ainda sinais de forte recuperação da produção brasileira de veículos a ponto de atenuar os problemas do setor, inclusive o crescente risco do desemprego. Por isso defendeu que o Brasil deve se preocupar, o quanto antes, até por conta da nova realidade da economia mundial, em desenvolver políticas industriais duradouras e que contemplem uma visão transversal de vários setores produtivos.

“É um tema que não está na agenda de ninguém neste momento por razões óbvias, mas que poderia entrar na pauta dos governos a partir do ano que vem, quando algumas questões da saúde já tiverem sido resolvidas.”

Isso não o impediu, contudo, de avaliar que algumas medidas do Proconve ou do Rota 2020 poderiam ter seus prazos revistos, talvez proporcionalmente ao tempo em que as dicussões sobre elas e o desenvolvimento dos projetos ficaram parados nos último meses. “Não queremos mudar nenhuma regra”, enfatizou.

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O cenário turvo dos próximos dois anos faz com que a Volkswagen reestude seus planos para o Brasil. A empresa, admite o executivo, adiou alguns projetos, manteve outros, mas também cancelou alguns.

Paralelamente, porém, decidiu enfrentar o câmbio desfavorável e acelerar seu programa de nacionalização de partes e componentes. “Um recado para nossos fornecedores: será um processo rápido”, alertou.


Foto: Divulgação