Trevor Milton, fundador da startup de veículos comerciais elétricos Nikola, renunciou ao cargo de CEO da companhia após denúncias de fraudes. Relatório da Hindenburg Research, empresa de análises de investimento, publicado em 10 de setembro, aponta que o executivo fez falsas declarações a respeito de tecnologias supostamente patenteada pela startup com objetivo de atrair investidores.

As denúncias surgiram dois dias depois de a General Motors anunciar um acordo bilionário com a Nikola de compartilhamento de tecnologia. Na parceria, a fabricante de Detroit será responsável pela produção da picape elétrica Badger e fornecer baterias e células de combustível para caminhões. A parceria envolve US$ 2 bilhões por 11% de participação na Nikola, além de pagamentos de até US$ 700 milhões pela montagem da picape.

A Nikola chegou a emitir comunicado refutando as denúncias e que contratou escritório de advocacia para avaliar os recursos legais, incluindo potenciais ações contra a Hindenburg Research. Segundo a nota, o relatório é “repleto de acusações enganosas” motivadas para “manipular o mercado e lucrar com a queda no preço de nossas ações.”

No lugar de Trevor Milton assume um veterano da indústria automotiva, ex-vice-presidente da GM, Steve Girsky.

Segundo informações de agências internacionais, apesar das suspeitas, a GM seguirá em frente com a aliança. “Vamos trabalhar com Nikola para fechar a transação que anunciamos há quase duas semanas”, disse o porta-voz da montadora, Jim Cain, por e-mail enviado ao portal de notícias Automotive News.

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A saída de Milton foi voluntária e uma reação depois que a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos e o Departamento de Justiça americano disseram estar investigando a empresa. “A Nikola está verdadeiramente em meu sangue e sempre estará, e o foco deve estar na empresa e em sua missão de mudar o mundo, não em mim”, disse o executivo em comunicado aos funcionários.

A Nikola também tem parceria com a CNH Industrial, no qual a marca Iveco do grupo será encarregada de produzir o Tre, um caminhão movido a hidrogênio. O grupo investiu US$ 250 milhões na startup e estimava começar os testes ainda este ano com planos de iniciar a produção em 2021 na fábrica de Ulm, na Alemanha.

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Foto: Nikola/Divulgação