A Mercedes-Benz pretende deixar de ser  coadjuvante  nas operações severas do fora estrada, em especial no setor de mineração. O lançamento comercial do Arocs 8×4 no País, na quarta-feira, 20, comprova que as intenções não são modestas.

Diante de uma estreia com 200 unidades negociadas para entregas até o fim do ano, a marca tende a crer que a trajetória será promissora. Ainda porque, segundo estimativa da empresa em um nicho que deverá encerrar o ano com total de 600 unidades, o Arocs 8×4, grosso modo, chega com 30% do mercado.

Sem alarde, o modelo começou a ser produzido na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) há cerca de três meses. O projeto, no entanto, começou em 2018, quando a fabricante percebeu que Actros 4844 ficava abaixo das expectativas dos mineradores. Perdia em argumentos para opções como da Scania e da Volvo.

“Foi hora de voltar atrás. As operações de mineração são extremamente severas, com clientes exigentes e competentes. Aprendemos com Actros para desenvolver o melhor 8×4 para o setor”, conta Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil.

O Arocs é um projeto alemão, nascido para suportar as mais severas condições de rodagem e ambiente. Para o Brasil, novo desenvolvimento providenciou adaptações para a realidade local e região. No ano que vem, o veículo está na pauta das exportações da empresa.

Por três anos, a engenharia brasileira e os canteiros de empresas mineradoras parceiras afinaram o caminhão. Afinal, se trata de uma operação que não permite descanso ao veículo, habitualmente conduzido por diferentes motoristas em turnos de 24 horas.

Para localizar o Arocs 8×4, a Mercedes-Benz investiu R$ 300 milhões, parte do programa de R$ 2,4 bilhões para o período 2018-2022, além de sete protótipos, mais de 100 testes de validações e 500 mil km rodados. “Apesar de concebido na Europa, a plataforma é global. Aqui foi testado e aprovado em laboratório a céu aberto”, resume Daniel Spinelli, diretor de desenvolvimento.

O resultado deverá ao menos incomodar os rivais. Nem tanto em capacidades, mas em itens como disponibilidade e rentabilidade O Arocs 8×4 admite 58 toneladas de peso bruto total e entrega 150 toneladas de capacidade máxima de tração.

Aceita ainda caçambas basculantes de 20 a 24 m³. O trem de força traz motor de 510 cv a 1.900 rpm, torque de 2.400 Nm (245 kgfm) a 1.100 rpm associado a caixa automatizada 12 velocidades. Sem dúvida um conjunto à altura do que precisa a mineração, mas nada muito diferente do que a concorrência também consegue oferecer.

A Mercedes-Benz, no entanto, garante dispor agora do veículo que proporcionará o menor custo de propriedade para o segmento. Um dos eixos para bancar a promessa está em maior disponibilidade. De acordo com a fabricante, o Arocs exige menos paradas para manutenção do que os rivais. “Em um ciclo de 18 mil horas, quase três anos, o caminhão irá parar 22 vezes a menos Só a troca de óleo é a cada 1 mil hora, o dobro da concorrência”, calcula Silvio Renan, diretor de peças e serviços.

Com o Arocs ainda, a marca criou o que chamou de Truck Off Center, modelo de atendimento no local do cliente com serviços e estoque de peças, bem como elaborou contrato de manutenção baseado em horas de trabalho do veículo.

O preço depende da quantidade de caminhões negociados, acessórios e opcionais. Mas como uma referência, parte em torno de R$ 1,1 milhão.

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Foto: Mercedes-Benz/Divulgação

Décio Costa
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