O setor automotivo comemora o melhor julho em vendas internas desde 2019, com total de 225,6 mil emplacamentos, incluindo veículos leves e pesados. A produção, contudo, não acompanhou esse desempenho positivo, limitando-se a 183 mil unidades, volume 3,3% inferior ao de junho (189,2 mil) e 16,5% menor do que o registrado no mesmo mês de 2022 (219 mil).

Ao divulgar os números nesta segunda-feira, 7, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, explicou que o movimento foi uma reação natural da indústria para ajustar os estoques das fábricas e das redes de concessionárias, o que é benéfico para o setor como um todo.

“A despeito de algumas paralisações de fábricas por férias coletivas e de lay-offs para adequação da produção à demanda, o cenário é de estabilidade”, garantiu o executivo, informando que o mês de agosto começou aquecido em relação ao ano passado, com indicativos positivos para o fechamento do mês.

Antes do programa carro com desconto criado pela MP 1.175 em 6 de junho, os estoques chegaram a 251,7 mil unidades entre os pátios das fábricas (122,2 mil) e das concessionárias (129,5 mil). No mês seguinte houve redução para 223,6 mil – respectivamente 85,5 mil e 138,1 mil, com nova queda para 198,8 mil em julho, sendo 73,6 mil e 125,2 mil na mesma ordem.

São agora apenas 26 dias de produção em estoque, ante os 30 dias de junho e os 33 de maio.

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Lima Leite lembrou que o pacote de incentivos do governo aqueceu o mercado no final de junho e principalmente na primeira quinzena de julho. “Na segunda quinzena esse efeito foi diluído, mas as vendas se mantiveram elevadas pela estratégia de várias marcas que bancaram a manutenção de descontos”, informou o presidente da Anfavea.

A entidade ainda não revisou projeções para 2023, prometendo para outubro uma eventual mudança nos números estimados no início do ano. Lima Leite admitiu, contudo, que o mercado interno possa crescer algo próximo de 5%, um pouco acima dos 3% previstos pela entidade.

No acumulado do ano, o mercado interno  acumula 1,224 milhão de unidades vendidas, crescimento de 11,3% sobre os primeiros sete meses do ano passado. A produção atingiu 1,315 milhão de unidades, com pequena alta de 0,3% no mesmo comparativo. As fábricas estão produzindo menos em função basicamente da queda nas exportações, que no ano é de 10,6%.


Foto: Divulgação/VW

Alzira Rodrigues
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