Lyle Watters, presidente da Ford no Brasil, não confirmou, mas também não negou categoricamente, a possibilidade de encerrar as atividades da histórica fábrica de São Bernardo do Campo (SP), conforme as muitas especulações que circulam no meio automotivo há alguns meses.

“Estamos estudando todas as possibilidades para mantermos nossa operação regional rentável”, desconversou o executivo, que também responde pelas atividades da montadora na América do Sul desde 2016.

A declaração foi feita nesta terça-feira, 23, durante apresentação dos veículos que a montadora exibirá no Salão do Automóvel de São Paulo, de 8 a 18 de novembro. O executivo, contudo, ponderou que as análises envolvem até mesmo a possibilidade de produção de um novo produto na fábrica paulista, caso os custos permitam rentabilidade que a justifique.

“A Ford foi a primeira montadora a se instalar no Brasil, onde vamos comemorar o centenário no próximo ano, e nunca deixamos de acreditar no desenvolvimento do País. Temos aqui uma estrutura forte”, completou Watters, que diz que objetivo da montadora agora, além da rentabilidade, é se tornar a mais confiável do setor aqui.

Nos últimos meses cresceram os rumores de que a montadora poderia desativar sua unidade do ABC, onde hoje é fabricado apenas o Ford Fiesta, além da linha de caminhões.

A ideia seria concentrar a produção de automóveis na planta de Camaçari (BA), a mais moderna da empresa no País e onde os custos seriam menores. Da unidade baiana saem hoje Ka, Ka Sedan e o utilitário esportivo EcoSport, veículos que responderam por mais de 128 mil dos 167 mil veículos da marca negociados no mercado interno de janeiro a setembro.

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Só o Ka somou mais de 75 mil unidades de janeiro a setembro. Fiesta e Fiesta Sedan, em compensação, têm acumuladas pouco menos de 14 mil unidades emplacadas, segundo a Fenebrave.

Não de hoje a Ford tem reclamado do desempenho dos mercados sul-americanos. A empresa também revelou sua disposição de concentrar sua produção em picapes e utilitários esportivos nos Estados Unidos. Tanto que antecipou o fim da oferta do próprio Fiesta, do Focus e até do Fusion na América do Norte.


Foto: Divulgação/Ford