O crescimento de quase 50% do mercado caminhões até novembro começa a surtir efeitos positivos nas montadoras. Nesta terça-feira, a Mercedes-Benz anunciou a criação do segundo turno de trabalho na linha de montagem e do terceiro na linha de motores da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Ambos começam em janeiro.

Desde 2014 a montagem final operava em apenas um turno de trabalho. A linha de motores teve três turnos pela última vez antes até, em 2013. Com capacidade produtiva anual de 80 mil caminhões e ônibus, São Bernardo do Campo trabalha hoje com ociosidade da ordem de 40%. Ainda que alta, a taxa já está bem abaixo dos últimos três anos, quando girava em torno de 60%.

Para dar conta das novas jornadas, a Mercedes-Benz contratará seiscentas pessoas temporariamente por um ano, com possibilidade de renovação de contrato por idêntico período. Somente 25 delas seguirão para a planta de Juiz de Fora (MG), onde são fabricadas as cabinas.

Schiemer projeta novo crescimento de dois dígitos do mercado de caminhão em 2019

As primeiras quatrocentas pessoas já estão sendo selecionadas e começarão a trabalhar em janeiro. A empresa já acordou com o Sindicato dos Metalúrgicos que outros duzentos horistas serão incorporados a partir de abril, caso “o mercado de caminhões mantenha a tendência de expansão”.

O reforço na mão de obra em 2019 será suficiente para que a montadora de caminhões volte a contar com quadro de mais de 10 mil funcionários no Brasil, somando as unidades do ABC, Juiz de Fora e Campinas, onde está o centro de distribuição de componentes.

A grande maioria, cerca de 8 mil pessoas, alocada em São Bernardo do Campo, que na primeira metade desta década contava com 14 mil pessoas. “Nunca mais voltaremos a esse número”, assegura Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina.

Isso porque a Mercedes-Benz encaminha investimentos de R$ 2,4 bilhões de 2018 a 2022, sobretudo na modernização e aumento da eficiência da unidade do ABC, o que dispensará um quadro mais extenso. Uma primeira parte desse processo foi concluída este ano.

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A partir de 2019 a unidade passará por mudanças no layout, ampliação na linha de motores ­— que já exportou 7,1 mil unidades em 2018, recorde histórico, e projeta até 10 mil unidades e,marcadas no ano que vem — e receberá maior índice de automação na linha de montagem final de cabines. A ideia é que todas as i ntervenções estejam concluídas em 2020.

 

“Os juros estão baixos, a inflação está controlada e há uma demanda reprimida de quatro anos no mercado de caminhões. Falta voltar a confiança de parte dos consumidores. ”

 

Schiemer não esconde o otimismo com as perspectivas de curto prazo: “Os juros estão baixos, a inflação está controlada e há uma demanda reprimida de quatro anos no mercado de caminhões. Falta voltar a confiança de parte dos consumidores. Falta pouco, portanto”.

Segundo o executivo, a retomada do mercado interno, deve-se, em boa medida, ao segmento de extrapesados, veículos mais consumidos por empresas de transportes e segmentos como o agronegócio e a mineração. “O empresário que tem seu caminhão próprio, que o utiliza não para fazer dinheiro, mas sim para seus próprios serviços, este deve voltar a comprar a partir do ano que vem”, analisa.

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Com o esperado reforço desse outro público consumidor, Schiemer acredita que o mercado de caminhões voltará a crescer no ritmo de dois dígitos em 2019, com o primeiro semestre podendo registrar evolução de 20% a 25%. “Mas na média do ano é mais difícil manter, deve ficar abaixo disso”, pondera.

A Mercedes-Benz projeta que as vendas internas de caminhões acima de 3,5 toneladas encerrarão 2018 muito perto das 80 mil unidades. Não será surpresa então se ultrapassarem 100 mil  em 2019, patamar alcançado pela última vez em 2014, quando foram negociados mais de 137 mil veículos.

No acumulado de janeiro a novembro deste ano, foram emplacados 68,9 mil caminhões. A marca alemã lidera com 19 mil unidades negociadas, participação de 27,8%. No segmento de ônibus, com vendas totais no ano de 13 mil unidades, e a liderança é ainda mais tranquila: com 6,9 mil unidades entregues até o mês passado, passados 53%.


Fotos: Divulgação/Mercedes-Benz