Ainda em fase de consulta pública, a MP 843, já aprovada no Congresso Nacional e que deverá ser transformada em lei ainda no atual governo criando oficialmente o programa Rota 2030, prevê – a partir de uma das emendas feitas na Câmara dos Deputados – um benefício extra para veículos híbridos movido a etanol, os chamados híbridos flex.

Esses modelos, se não houver veto previdencial à emenda aprovada no Congresso, pagariam 3 pontos porcentuais a menos do que os índices estabelecidos no decreto 9.442, de 5 de julho, que definiu novas alíquotas para híbridos e elétricos.

Segundo o presidente da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Edson Orikassa, há uma pressão do Ministério da Fazenda para que o presidente vete a referida emenda, proposta por representantes dos produtores de etanol. Embora não tenha constado do texto original da MP que criou o Rota 2030, a medida é de interesse das montadoras, que vêm no híbrido flex o melhor caminho a ser seguindo no Brasil rumo ao carro elétrico.

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Ainda não existe um híbrido flex no País, mas a Toyota já roda com um Prius flex em testes, que poderá ser fabricado futuramente dependendo de políticas governamentais nessa área. Segundo a fabricante japonesa, os testes com o modelo já provaram a sua eficácia, mas ainda não há definição quanto a investimentos na sua produção.

O presidente da AEA, que também é executivo da Toyota, admite que a aprovação do Rota 2030 com a emenda que reduz em 3 pontos porcentuais o IPI do híbrido flex poderá contribuir para a aprovação do projeto.

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Orikassa e demais diretores da AEA realizaram nesta quarta-feira, 5, um balanço da atual gestão da associação, que terá novo presidente a partir de janeiro. O foco principal das palestras foi o Rota 2030, que envolve investimentos em pesquisa e desenvolvimento, eficiência energética e segurança veicular, dentre outros itens.

No caso da eficiência energética, o tema, segundo Orikassa, está atualmente em análise do Proconve, Programa de Controle de Emissões Veiculares. Há consenso com relação as metas estabelecidas no Rota 2030, mas há divergência quanto as datas de vigência das novas normas que visam reduzir o consumo de combustível e a emissão de poluentes.

“O Rota 2030 estabelece ciclos de 5 anos, sendo o primeiro para 2022 e os outros para 2027 e 2032”, explica Orikassa. “No caso do Proconve, a data de 2022 foi mantida após debates com a indústria, mas a etapa seguinte está sendo programada para 2025. Nós temos total interesse nos ganhos de eficiência energética, mas essa redução no prazo torna muito pequeno o tempo para a engenharia automotiva trabalhar as metas do segundo ciclo. É um desafio para as montadoras”.


Foto: Divulgação/Toyota