Mesmo com o crescimento de 15% no acumulado de janeiro novembro e a expectativa de boas vendas também em dezembro a indústria brasileira de veículos já começou a colocar o pé no freio da produção. A maioria das empresas não produzirá a partir da semana que vem.

O motivo, naturalmente, são as tradicionais férias coletivas de fim de ano, período que os fabricantes aproveitam para manutenções preventivas e outras intervenções nas linhas de montagem. Mas algumas empresas se preparam para um ano que vem ainda mais forte em termos de vendas, em especial as de caminhões.

Antonio Megale, presidente da Anfavea, adiantou que a expectativa para o mercado interno é de crescimento de dois dígitos novamente no ano que vem. “Acreditamos na retomada da economia no ano que vem e quando isso ocorre o setor sempre vem junto”, comentou o executivo. “Tenho convicção de que vamos crescer dois dígitos,  pelo menos 10% a 11%. Espero até que erremos para menos como aconteceu este ano e tenhamos um índice de dois dígitos mais alto”.

A primeira grande montadora a desligar as máquinas foi a PSA. A fábrica de Porto Real (RJ), de onde saem modelos Peugeot e Citroën, inclusive o recém-lançado C4 Cactus, líder de vendas da Citroën, trabalhou até a quinta-feira, 13.  Mas se parou antes, a PSA também será uma das primeiras fabricantes a retomar a produção, já no dia 5 de janeiro.

A Ford já não produz desde hoje em São Bernardo do Campo (SP). A unidade permanecerá com a linha paralisada até de 17 de janeiro, ou seja: durante um mês!  O prazo chama a atenção por ser o maior concedido a uma planta de automóvel e também porque a unidade tem sido alvo de comentários que sugerem grandes mudanças, interrupção de produção de produtos e até mesmo fechamento — tudo ainda negado pela Ford.

Mas o quadro é bem diferente do determinado pela empresa para a unidade Camaçari (BA), onde são fabricados os veículos da marca mais vendidos no Brasil. Lá, a Ford terá a produção interrompida no dia 24, véspera de Natal, e reiniciada já no dia 4 de janeiro.

 

“Tenho convicção de que vamos crescer dois dígitos [ em 2019],  pelo menos 10% a 11%. Espero até que erremos para menos como aconteceu este ano .”

(Antonio Megale, presidente da anfavea)

 

A  Volkswagen também escolheu esta segunda-feira para interromper a montagem de veículos em São Bernardo do Campo e em São José dos Pinhais (PR). Com o dobro de crescimento da média do mercado e vários produtos novos, a montadora voltará a produzir no ABC somente no dia 5 de janeiro e dois dias depois no Paraná, cuja linha deve começar a montar o  SUV T-Cross em janeiro ou mais tardar fevereiro.

A unidade de motores de São Carlos fica paralisada por dez dias, entre 24 de dezembro e 4 de janeiro, enquanto Taubaté (SP), a terceira fábrica de veículos da empresa aqui, será a última a dar folga para seus funcionários: somente a partir de 3 de janeiro até o dia 12.

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A Renault encerrará suas atividades bem antes, em 23 de dezembro. Porém, a fábrica de São José dos Pinhais, que acaba de completar vinte anos, permanecerá inativa até o dia 14 do mês que vem.

O último dia de produção nas fábricas da FCA será a próxima quarta-feira, 19. Os trabalhadores das linhas de montagem de Betim (MG) e Goiana (PE) retomam as atividades somente no dia 7 de janeiro.

A exemplo da FCA, a Hyundai também encerrará suas atividades nesta quarta-feira. Mas a planta de Piracicaba, que há anos vem trablhando no limite da capacidade e que não deve fugir de uma ampliação caso o mercado ocntiniue em recuperação, volta a operar somente no dia 14. A paralisação, diz a empresa, “tem como objetivo a atualização e a manutenção do parque fabril”.

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Apesar de aumento das vendas da ordem de 50% em 2018, puxado em especial pelo segmento de pesados, os fabricantes de caminhões também resolveram dar férias coletivas para as áreas produtivas.

A Volvo foi a menos generosa no descanso. A planta de Curitiba (PR) ficará paralisada entre o Natal e o Reveillon, retomando as a produção já no dia 2 de janeiro.

A Mercedes-Benz não produzirá seus caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo (SP) de 21 de dezembro até 6 de janeiro, um dia a menos que sua planta de Juiz de Fora (MG), que deixará de fabricar as cabinas de caminhões que são enviadas à fábrica paulista para a montagem final já no dia 20.

A montadora  adotará o segundo turno de trabalho na linha de montagem e do terceiro na linha de motores da fábrica de São Bernardo do Campo. Ambos começam em janeiro. Desde 2014 a montagem final operava em apenas um turno de trabalho. A linha de motores teve três turnos pela última em 2013.

A Scania prepara a produção de sua nova geração de caminhões, apresentada recentemente e que chegará às revendas no primeiro bimestre. Por conta disso, a empresa trabalha até o fim de dezembro para dar contas das entregas dos caminhões da linha anterior, e concederá férias coletivas na fábrica de São Bernardo do Campo de 2 a 19 de janeiro do ano que vem, ocasião que aproveita para fazer os ajustes necessários para produzir os novos produtos.


Foto: Divulgação/PSA