Logo após o governador de São Paulo, João Dória, revelar na terça-feira, 26 de fevereiro, que há três interessados na fábrica da Ford de São Bernardo do Campo (SP), dos quais uma empresa nacional e duas outras multinacionais, a Caoa admitiu em comunicado negociações com a montadora e com o governo do estado sobre uma possível aquisição do parque fabril.

Em nota, a Caoa justifica o interesse pela importância da Ford no Brasil e no mundo, além da parceria que tem com a marca há mais de quatro décadas, atualmente como a detentora da maior parte da rede de concessionárias Ford na América Latina. “É natural que a Caoa e a Ford conversem sobre futuros negócios, assim como ocorre com outras empresas sempre que há uma boa oportunidade”, diz o comunicado oficial, mas ressalva: “até o momento não há nenhuma definição ou compromisso para a aquisição da planta.”

Além de forte presença no setor de distribuição, a Caoa produz veículos da sul-coreana Hyundai e da chinesa Chery nas fábricas de Anápolis (GO) e de Jacareí (SP). Absorver a operação a fábrica de São Bernardo do Campo significaria já ter fábrica e rede para caminhões consolidadas.

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Ao anunciar o fim das operações em São Bernardo do Campo, a Ford deixa de atuar no segmento de caminhões na América do Sul. A unidade, com cerca de 3 mil empregados diretos, tem linhas de montagens que produzia produtos para atender todas as categorias do mercado, dos semileves aos pesados.

Com a decisão da montadora, justificada por uma reestruturação global a fim de obter lucratividade em todas as regiões nas quais atua, a companhia renuncia uma significativa participação. De maneira frequente se mostrava como a terceira maior vendedora de caminhões do País. No ano passado, encerrou o período em quarto lugar, com 9,3 mil unidades vendidas ou 12% das vendas totais do mercado doméstico.

Embora nada confirmado, com exceção da conversa, o negócio tem cheiro de oportunidade de momento. O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, já revelou estar disposto a conceder incentivos fiscais a um possível comprador, como reduções no ISS, Imposto Sobre Serviços. Pelo lado dos interesses da Ford, a empresa deixaria de ter impacto de US$ 460 milhões em despesas não recorrentes, dos quais US$ 360 milhões relacionados a compensações de funcionários, concessionários e fornecedores, conforme revelou na ocasião do anúncio.

Na manhã de quarta-feira, 27 de fevereiro, no entanto, a Ford não confirmou que tenha sido procurada pela Caoa para negociar a fábrica do ABC. Em nota, a montadora diz que “até o momento, a Ford não teve nenhuma negociação com o grupo Caoa”.


Foto: Ford/Divulgação