A Mercedes-Benz e a Bosch criaram um consórcio para construir um centro de teste veicular em Iracemápolis (SP). No acordo, em contrato de 20 anos, as empresas dividirão em partes iguais investimento de R$ 70 milhões que promoverá capacidade estrutural para tornar possível à engenharia brasileira desenvolver e validar localmente tecnologias de segurança e projetos de eficiência energética.

“O complexo surge frente às demandas que virão no futuro, como as determinadas pelo Rota 2030, que exigirá cada vez mais tecnologia. O ESP (programa eletrônico de estabilidade), por exemplo, passará a ser obrigatório de 2022”, observa Besaliel Botelho, presidente da Robert Bosch América Latina.

“Estamos investindo em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, em benefício para toda a cadeia da engenharia da mobilidade do País. Um espaço que irá impulsionar o desenvolvimento da indústria brasileira”, completa Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina.

LEIA MAIS

→Mercedes-Benz inaugura campo de provas

→Bosch e Daimler juntas em serviço de estacionamento autônomo

O centro será instalado onde hoje já funciona o campo de provas da Mercedes-Benz para desenvolvimento exclusivo de caminhões e ônibus da fabricante. A estrutura planejada que virá permitirá testes para todo tipo de veículo, das motocicletas às máquinas agrícolas. O modelo pensado na parceria é para que outras empresas do setor automotivo também possam usufruir da estrutura, em regime de locação.

Anúncio

O início das obras está previsto para o primeiro semestre do ano que vem e inauguração em 2021. Quando concluído, o projeto terá cinco pistas ocupando mais de 400 mil m², oficinas com escritórios individualizados, além de estacionamentos para protótipo que garantam confidencialidade dos veículos.

Com olhos no futuro, o centro facilitará o desenvolvimento aqui de recursos de assistência ao motorista, baseadas em tecnologias autônomas e semiatuônomas, além de abreviar tempo e custos. “Não será mais preciso enviar para fora do País um projeto a ser validado”, reforça Schiemer. “Um bom exemplo é o novo Actros. Quanto custaria levar o Actros para fora? Ganhamos um ano por termos uma estrutura própria. Talvez o caminhão só chegasse por aqui na Fenatran de 2021. Para estar inserido no contexto global é necessário também ser competitivo em pesquisa e desenvolvimento.”

De acordo com as empresas, o empreendimento terá apoio das equipes externas das companhias, que contribuirão com a experiência adquirida na concepção de outros campos de prova ao redor do mundo.


Foto: Mercedes-Benz/Divulgação