Em mais de três semanas de negociações, os sindicatos dos metalúrgicos das quatro localidades que a Volkswagen mantém operações no País conseguiram chegar a uma proposta de acordo que contemplasse reajuste salarial, PPR, Participação nos Lucros e Resultados, e estabilidade no emprego por 5 anos para todos os funcionários da empresa.

Também foi consensual a abertura de PDV, Programa de Demissão Voluntária em todas as unidades, visando ao corte de um excedente que a Volkswagen estima em cerca de 4,7 mil dos 15 mil empregados hoje no País.

Ao longo desta semana os quatro sindicatos – ABC, Taubaté e São Carlos, no Estado de São Paulo, e o da Grande Curitiba, no Paraná, que representa a base de São José dos Pinhais – promoveram assembleias presenciais e o acordo foi aprovado por ampla maioria de votos.

O interessante nesta negociação conjunta é que além de definir parâmetros gerais para todos os trabalhadores, também foram discutidas as especificidades de cada um dos complexos industriais da montadora. Em Taubaté, por exemplo, foram descongelados os investimentos locais e já a partir de novembro será implantada na fábrica a plataforma MQB.

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Além disso, os metalúrgicos de Taubaté garantiram a produção compartilhada do Polo LA K1 com São Bernardo do Campo e exclusividade na fabricação do Polo Track (Novo Polo). Também está previsto um segundo modelo a ser produzido por lá.

“Cada planta tem suas peculiaridades, mas isso não impediu a unidade dos representantes sindicais nas negociações de itens específicos. Essa união foi importantíssima para chegarmos ao acordo, que já é uma referência no País”, avalia o presidente do Sindicato de Taubaté e Região (Sindmetau), Cláudio Batista.

Em São José dos Pinhais, por sua vez, ficou definida a garantia de uma nova plataforma (MQB A0) com no mínimo dois novos modelos, com produção completa, desde a estamparia até a montagem final. Já os metalúrgicos de São Carlos conseguiram o compromisso da montadora de que todos os motores para carros da marca serão produzidos com exclusividade naquela planta.

Como disse o presidente do Sindicato do ABC, Wagner Santana, após a assembleia local realizada na terça-feira, 15, num momento como o atual, de incertezas em relação ao futuro econômico do País, “um acordo que garante estabilidade por 5anos é uma referência importante para o movimento sindical em relação às possibilidades de conquista da classe trabalhadora”.


Foto: Divulgação/Sindmetau