O processo já caminhava antes da Covid-19, mas ganhou força e gerou negócios no período mais crítico da pandemia, quando as medidas de isolamento social restringiram as operações físicas das concessionárias do Pais. Do início do ano até agora, o índice de digitalização da rede Volkswagen passou de 40% para 95%, oferecendo ao cliente da marca a possibilidade de realizar uma compra 100% virtual.

“Podemos ir até o consumidor, levar os óculos de realidade virtual e colocar ele dentro de qualquer produto Volkswagen”, lembra César Fernando Álvares de Moura, presidente da Assobrav, a associação que representa os concessionários da marca. São os recursos do DDX, Digital Dealer Experience, que permite ainda ao cliente configurar o veículo em tela touchscreen da forma que desejar.

Concessionario do Grupo Savol, do ABC paulista, e eleito para o mandato 2020/2021 da Assobrav, Moura aborda diferentes temas nesta entrevista ao AutoIndústria, desde a forma como a rede atravessou o periodo crítico da crise até conquista da liderança de mercado pela Volkswagen, o que atribui ao portfólio mais amplo e, principalmente, às novidades lançadas pela marca em plena pandemia.

Com 481 pontos de venda representados por 213 grupos econômicos, a rede Volkswagen não teve baixas neste ano, não reduziu quadro de funcionários e até houve melhoras em seus resultados, segundo revela Moura: “Em janeiro, 15% da rede operava sem lucro, ou seja, no equilíbrio ou com prejuízo. Esse índice caiu para 8% em julho”.

Ele atribui as melhorias nos resultados da rede aos novos produtos da marca, com ênfase para o Nivus, às medidas de redução de custos e também ao aumento da digitalização. No geral, segundo o empresário, as concessionárias utilizaram a medida provisória 936, com a adoção de redução de jornada e suspensão temporária do contrato de trabalho, dentre outras ações.

“Não tivemos fechamento de nenhuma concessionária”, comenta Moura, lembrando que a Volkswagen foi a que teve menos queda de vendas no início da pandemia e também a que teve retomada mais rápida a partir de junho, o que contribuiu para a consquista da liderança nos últimos meses.

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Ele reconhece que o mercado brasileiro reagiu mais rápido do que se previa inicialmente, admitindo, inclusive, que no caso da Volkswagem a demanda, em alguns produtos, está maior do que a oferta. “No caso do Nivus, lançado em junho, 5 mil unidades foram vendidas 100% de forma virtual e as entregas do produto ainda estão em curso. Quem quiser comprar o modelo agora, só deve receber daqui uns 30 dias”.

No caso do T-Cross, “também um sucesso de vendas”, de acordo com o presidente da Assobrav, há  opções para pronta entrega, mas dependendo das especificações exigidas pelo cliente a espera para receber o produto pode chegar a 10 dias. O modelo

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Moura lembra que por causa da pandemia ainda há fornecedores em processo de retomada de abastecimento e há limitações nas linhas de montagem por causa das medidas de distanciamento social, dentre outras.

Quanto ao novo consumidor no pós-pandemia, o presidente da Assobrav acredita que haverá espaço para todo tipo de venda, tanto a presencial como a online, o mesmo que ocorrerá na área de serviços.

Com relação à retomada do mercado nos níveis pré-pandemia, ele avalia que tudo  vai depender do desenrolar da economia brasileira. Tem fatores favoráveis, como a taxa de juro mais baixa, mas tem questões como o desemprego e o fechamento de empresas que certamente afetam as vendas. No caso da Volkswagen, ele acredita ser possível retomar 90% dos patamares pré-Covid já no ano que vem.


Foto: Divulgação/Assobrav