A perda de passageiros do ônibus nas últimas décadas já supera 70%. De acordo com dados da NTU, Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, se anos 1990, o sistema transportava, em média, 631 mil pessoas/dia, hoje a embarca em torno de 168 mil.

Com a pandemia, o cenário ficou ainda pior, chegando a tirar 80% da frota de circulação em alguns momentos, como os picos de março e abril do ano passado. O cenário, no entanto, tende a começar a mudar para uma trajetória de recuperação.

Pelo é menos é assim que enxergam fabricantes e representantes do setor que nos próximos três dias estarão reunidos, de maneira virtual, do Seminário NTU e Lat.Bus 2021.

“Ainda estamos muito abaixo de um mercado que já foi de 30 mil ônibus. Nossa previsão para 2021 é de registrar 16 mil unidades. Mas uma boa chance de recuperação a partir de agora, principalmente devido ao avanço da vacinação, que permitirá às pessoas voltarem a circular e viajar”, resumiu Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, durante conferência de imprensa do evento, na segunda-feira, 20.

A avaliação do representante da Anfavea, também ecoa na do presidente da Fabus, a associação dos fabricantes de ônibus, Ruben Bisi. O dirigente reforça a perspectiva de recuperação, porém, se mantém cauteloso diante de um cenário ainda repleto de dificuldades.

“Temos certamente pela frente a volta das viagens, mais uma rodada do Caminho da Escola e a estimativa de crescimento da economia”, enumera Bisi. “Mas também, muitas empresas ficaram inadimplentes durante a pandemia, o que dificulta crédito, os preços dos insumos aumentaram, como também o diesel ficou mais caro, o que encarece a operação sem contrapartidas em muitos modelos de contratação do serviço no País.”

Para os temas que envolvem o negócio de ônibus, o evento elaborou extensa programação de debates e palestras para os dias 21, 22 e 23. As sessões serão transmitidas ao vivo pela plataforma (https://amppexperience.com.br/lat-bus-2021/) criada especialmente pela organização. Basta cadastro para o acesso.

Além dos ônibus em pauta nas discussões, as fabricantes de chassis mostram as mais recentes novidades que apoiarão os operadores na vislumbrada retomada. Afinal, o argumento é de que veículos novos são capazes de entregar mais rentabilidade e menos custos operacionais.

A Scania leva para a feira uma abordagem sustentável baseada no transporte a gás. A empresa tem produtos urbanos e rodoviários na prateleira com a promessa de redução de 30% a 40% nos custos da operação.

“As possibilidades de negócios continuam se ampliando. Se fossemos contar somente as consultas de clientes, teríamos volume suficiente para fechar um ano de produção de ônibus a gás”, conta Celso Mendonça, gerente de Vendas de Soluções para Mobilidade da Scania no Brasil.

Produto limpo também é a estrela principal da Mercedes-Benz no evento com o eO500U, o chassi elétrico que a marca começará a produzir em São Bernardo do Campo (SP) o ano que vem.

No entanto, a fabricante não perde de vista demanda mais urgente e tradicionais, como o chassi OF 1621 desenvolvido exclusivamente para fretamento e o O500 Super Padron, veículos que surge como alternativa a modelos articulados que ficaram grandes em determinadas operações.

Somado aos produtos, a Mercedes-Benz anuncia serviço de telemetria dedicados aos ônibus. A partir do ano que vem, o operador terá à disposição sistema de monitoramento e diagnose em tempo real.

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Na Iveco, a empresa a aproveita a feira para ampliar portfólio com o lançamento do 10-190, chassi para micro-ônibus para aplicações urbanas, turismo e fretamento. Um dos destaques do produto é o motor com 190 cv, o mais potente da categoria no mercado nacional, o câmbio de seis marchas, também único no segmento.

O veículo surge como mais um ingrediente na estratégia de empresa em providenciar ofertas onde a Iveco Bus não está presente. “Seguimos plano de reforçar atenção ao cliente com o aumento de capilaridade da rede, garantir de opções de financiamento e, como uma das prioridades lançamento de produtos. É o aumento do portfólio que permitirá crescimento de participação,”, resume Danilo Fetzner, diretor da Iveco Bus para a América Latina.

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No estande virtual da Volvo, além dos recentes chassis rodoviários, B420R+ e B450R+, a fabricante lança serviço pioneiro de assinatura de ônibus. De acordo Valter Viapiana, diretor comercial da Volvo Financial Services (VFS) no Brasil, A novidade é indicada para negócios com contratos pré-determinados. “Nas operações de fretamento contínuo, por exemplo, é comum trabalhar com períodos definidos pela empresa contratante.”

Oferecido a operadores rodoviários de linhas regulares, o arrendamento mercantil chega com opções de contrato de 24, 36 ou 60 meses. O valor da mensalidade é fixo e inclui custos de emplacamento e manutenção. Ao fim do período, o empresário tem a possibilidade de comprar o veículo ou mesmo devolver ao fabricante.

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Da parte da Volkswagen Caminhões e Ônibus, o transportador de passageiro passa a ter a oferta do 10.160. O chassi foi desenvolvido em parceria com a rede e os encarroçadores para, inicialmente, ter uma configuração padrão de 36 passageiros. A ideia é uma opção para ser entregue de maneira mais rápida.

A fabricante de Resende (RJ) também trouxe como destaques o recente 15.190, chassi urbano com suspensão pneumática como opção ao ônibus de 17 toneladas, e o 22.280, veículos de três eixos que se mostra alternativa para operações onde os articulados ficaram superdimensionados.

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Foto: Volvo/Divulgação