Por conta de variadas razões, o segmento de automóveis de entrada, leia-se os mais baratos, encolheu drasticamente nos últimos anos. Está resumido a dois modelos apenas, ante oito de uma década atrás, e à participação somada inferior a 7% do total de automóveis de passeio licenciados, apenas um terço da fatia de uma década atrás.

Ainda assim, ao contrário do que se possa imaginar, um dos membros dessa dupla da resistência, o Kwid, tem exercido papel cada vez mais relevante nos licenciamentos da Renault.

De janeiro a março, o hatch encostou em 14,3 mil unidades entregues aos clientes finais, 20% a mais do que em igual período do ano passado e 60% do total negociado pela Renault em 2026.

Na prática, de cada dez carros de passeio Renault que chegaram às ruas este ano, seis são Kwid. Um quadro bem distinto de seu único concorrente direto: o Mobi tem representado somente 26% dos automóveis vendidos pela Fiat.

E esse desempenho não se trata de episódico ou sazonal. A curva de participação é historicamente ascendente. Em 2025, coube ao hatch 59% dos emplacamentos dos automóveis da Renault, contra 51% do ano anterior. Participação maior, de 62%, foi registrada somente em 2023, o mesmo patamar de hoje.

 

Renault mais vendido desde 2018, seu primeiro ano completo nas concessionárias, o Kwid já ultrapassou 528 mil unidades negociadas no mercado interno até março, com o recorde alcançado em 2019, ano em que acumulou 85,1 mil licenciamentos, número que fez dele o carro de entrada mais negociado do País.

Seguindo nesse ritmo de noves, é forte candidato a entrar para a história como o Renault mais vendido no Brasil em todos os tempos. Roubaria assim o título do aposentado Sandero, que somou 904 mil emplacamentos, mas que precisou de 15 anos nas lojas para isso.

Da mesma maneira que seu único concorrente direto, o Kwid depende fortemente das vendas diretas. No primeiro trimestre, a modalidade foi utilizada na negociação de quase 11,5 mil unidades, 80% do total. Ao longo de 2025, o índice foi ainda maior, 93%.

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A venda direta, sabidamente, não é a fórmula mais lucrativa e desejada dos fabricantes de veículos e revendedores, mas serve para atender grandes frotistas, outros públicos segmentados, manter as linhas ativas e dar conta de parte dos custos.

É natural então que a Renault queira ao menos diminuir sua dependência do Kwid nos próximos meses e anos. Até para atender a premissa do atual plano global do grupo de buscar a rentabilidade superior percebida em  produtos mais caros, ainda que isso implique na redução dos volumes negociados.

Não à toa  a operação brasileirta começou a produzir e vender aqui o Kardian há exatos dois anos e, já no fim do ano passado, o SUV médio Boreal.

Outra novidade, o importado Koleos, agora o topo de gama, acaba de chegar às revendas. E mais vem por aí: a nova geração do Duster, igualmente produzida no Paraná, será lançada como linha 2027.

De qualquer modo, quem seguirá falando mais alto nas planilhas de vendas da Renault em 2026 é o pequeno Kwid. Até por “merecimento”, por ter sustentado a participação da marca em carros de passeio em 5% em 2025 e 2026, menos de 1 ponto porcentual abaixo de 2023, quando a dupla Sandero e Logan ainda era ofertada, e ajudava na conta.


Foto: Divulgação

George Guimarães
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