A previsão de mais safra consistente e os preços das commodities em alta seguem promovendo aquecimento nas vendas de máquinas agrícolas e rodoviários. Em janeiro, as entregas de equipamentos para o campo e construção somou 2,6 mil unidades, volume que representou crescimento de 64,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram negociadas 1,6 mil máquinas.

As necessidades do campo são quem impulsionam as demandas do segmento. No primeiro mês do ano, as vendas de tratores de rodas cresceram 73,2%, com pouco mais de 2 mil unidades, e as de colheitadeiras de grãos 65,9%, para 448 equipamentos vendidos. Ambos os produtos representaram 93% das vendas totais de máquinas em janeiro.

“Embora tenha ocorrido um problema climático que reduziu em 4% a produção da soja, a safra de milho, que dá sequência, irá compensar perdas. A estimava é de uma safra de 237 milhões de toneladas, pouco abaixo da previsão inicial da Conab de 238 milhões de toneladas”, ponderou Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea, durante divulgação dos números de janeiro do setor automotivo, na quarta-feira, 6 de fevereiro.

Na comparação com desempenho de dezembro do ano passado, quando o segmento entregou 4,4 mil unidades, o resultado é negativo, com vendas 40% inferiores. Segundo Miguel Neto, no entanto, além de uma queda natural em virtude da sazonalidade de início de ano, houve uma corrida de compras dos produtores no fim do ano passado para garantir equipamentos.

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“O que preocupa a partir de agora são os programas de custeio. Já foram utilizados 64% dos recursos do Moderfrota, 66% do Pronamp e 80% do Pronaf e ainda não temos uma sinalização do governo a respeito. É importante que não ocorra ruptura entre o fim de ciclo de recursos e início de outro.”

As exportações deverão ser o maior desafio não só do segmento de máquinas, mas do setor automotivo em geral. A Argentina como o maior comprador dos produtos brasileiros ainda se mostra frágil. No caso de tratores e afins, os embarques sofreram uma redução de 10,6% em janeiro, com 693 unidades enviadas para outros mercados contra 775 registradas um ano antes.

Nas linhas de montagem, o ritmo segue em alta, apesar do desempenho negativo das exportações. No mês passado, as fabricantes de máquinas computaram 2,8 mil unidades produzidas, expansão de 3,5% em relação a janeiro do ano passado, quando foram montados 2,7 mil equipamentos.


Foto: Case IH/Divulgação